domingo, 6 de agosto de 2017

OS CRISTÃOS PODEM PRATICAR ARTES MARCIAIS?



SOBRE O COMBATE:

Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado. (1 Coríntios 9:24-27)
O apóstolo Paulo nesse trecho da Bíblia se referiu à corrida esportiva e também ao Pancrácio (arte marcial grega). Assim, como Paulo sempre usou o serviço militar como bom exemplo para a vida cristã, ele também se referiu ao esporte como bom exemplo a ser seguido pelos crentes em Jesus. O contexto desse capítulo não é a demonização do esporte, pelo contrário, é o lado positivo do esforço dos atletas em alcançar a sua meta nos campeonatos. Esse contexto ensina exatamente o que as artes marciais sempre ensinaram, que o verdadeiro guerreiro deve lutar contra si mesmo, ou seja, que o homem deve dominar a sua própria natureza (exatamente o que Paulo ensina nesse capítulo). O contexto desse capítulo é a luta contra o pecado, isto é, é a batalha que todo servo de Deus deve travar contra a sua própria natureza pecaminosa.

"Semelhantemente, nenhum atleta é coroado como vencedor, se não competir de acordo com as regras". (2 Timóteo 2:5)

                       Novamente, Paulo se referiu ao Pancrácio neste versículo, porque para ele, assim, como o serviço militar, o esporte também é um excelente exemplo para os cristãos seguirem na sua vida cristã.
“Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal. Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência. É por isso também que vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho. Dêem a cada um o que lhe é devido: se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra”. (Romanos 13:1-7)
O apóstolo Paulo reconheceu o uso legítimo da força aplicada pelas autoridades constituídas contra os criminosos, portanto, os militares e policiais, têm a autorização e a aprovação de Deus para usarem a violência contra os bandidos, porque essa é a vontade de Deus. Paulo indicou o uso legítimo de armas letais contra os marginais quando necessário. Portanto, até o “Apóstolo dos Gentios” apoiava o combate.
Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens; seja ao rei, como autoridade suprema, seja aos governantes, como por ele enviados para punir os que praticam o mal e honrar os que praticam o bem. Pois é da vontade de Deus que, praticando o bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos. Vivam como pessoas livres, mas não usem a liberdade como desculpa para fazer o mal; vivam como servos de Deus. Tratem a todos com o devido respeito: amem os irmãos, temam a Deus e honrem o rei. (1 Pedro 2:13-17)
O apóstolo Pedro também reconheceu que a função dos militares e policiais é usar a violência (dentro da lei) para castigar os malfeitores. Tanto Paulo quanto Pedro reconheciam o uso legítimo da força bruta e até de armas letais para se punir os criminosos. Se a Bíblia autoriza até militares e policiais matarem na guerra se for necessário (segundo Paulo, os soldados e policiais são ministros de Deus), seria uma grande incoerência a Palavra de Deus condenar a prática de lutas esportivas.
“Então, alguns soldados lhe perguntaram: E nós, o que devemos fazer? Ele respondeu: Não pratiquem extorsão, nem acusem ninguém falsamente, e contentem-se com o seu salário”. (Lucas 3:14)
João Batista, o precursor do Messias, e o maior de todos os profetas, reconheceu a legitimidade do trabalho do soldado, pois ele mesmo batizou alguns militares e lhes incentivou a permanecerem no Exército, portanto, que eles fossem honestos e justos. A própria Bíblia reconhece que João Batista foi o homem pecador mais justo que já existiu sobre a Terra. Portanto, a opinião dele é válida. João Batista não era um qualquer, mas era o precursor do Messias, isto é, o homem que preparou o caminho para Jesus; e ele foi o maior profeta que já existiu. Portanto, João Batista sabia o que estava fazendo quando batizou aqueles soldados. Todos os soldados sabiam lutar Pancrácio, que era a arte marcial oficial do Exército Romano.
A Bíblia, a Palavra de Deus, também conta sobre guerreiros que lutavam em prol da justiça. Homens que guerreavam e nem por isso deixaram de ser bons.
“Morava em Cesaréia um homem de nome Cornélio, centurião da coorte, chamada a italiana, piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, e que fazia muitas esmolas ao povo e de contínuo orava a Deus”. (Atos 10:1-2)
O centurião Cornélio era um bom exemplo de militar, pois ele era honesto, justo, íntegro, sabia amar ao próximo, e ainda buscava a Deus. A Bíblia não compara o centurião Cornélio a uma prostituta (como as Testemunhas de Jeová e os evangélicos pacifistas fazem), mas, sim, exalta as virtudes desse centurião como homem, militar e cidadão. Cornélio, segundo a Bíblia, é um bom exemplo a ser seguido.
“Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em Cafarnaum. E o servo de um centurião, a quem este muito estimava, estava doente, quase à morte. Tendo ouvido falar a respeito de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse curar o seu servo. Estes, chegando-se a Jesus, com instância lhe suplicaram, dizendo: Ele é digno de que lhe faças isto; porque é amigo do nosso povo, e ele mesmo nos edificou a sinagoga. Então Jesus foi com eles. E já perto da casa, o centurião enviou-lhe amigos para lhe dizer: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa. Por isso, eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo; porém manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Porque também sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz. Ouvidas estas palavras, admirou-se Jesus dele e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse: Afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta. E, voltando para casa os que foram enviados, encontraram curado o servo”. (Lucas 7:1-10)
O centurião de Cafarnaum também era um bom exemplo a ser seguido, pois o próprio Jesus o admirou como ser humano e militar. Cristo elogiou até a sua fé, e desprezou a religiosidade dos fariseus (as Testemunhas de Jeová e os evangélicos legalistas da época). Jesus Cristo andava com prostitutas e ladrões, e até elogiou um militar por sua fé e integridade, mas desprezou o legalismo e o fanatismo religioso dos fariseus. A Palavra de Deus afirma que os governantes, magistrados e soldados são servos de Deus, isto é, estão a serviço de Deus para o bem-estar da sociedade.
O centurião Júlio mencionado no capítulo 27 do Livro de Atos, também era um oficial romano muito digno e honrado, que tratou o apóstolo Paulo com muita humanidade e dignidade. Todos os centuriões mencionados no Novo Testamento eram justos e honestos, isto é, bons exemplos a serem seguidos.
“Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;”. (Mateus 5:38-39)
Os fariseus deturpavam as leis do Antigo Testamento para incentivar as pessoas ao ódio e a retaliação, porque olho por olho e dente por dente eram na verdade as punições aplicadas pelas autoridades nos malfeitores e não um incentivo a represália do indivíduo. Jesus condenou a vingança pessoal e não a legítima defesa, pois Ele usa muito simbolismo nas coisas em que ensina. Cristo, em outra parte da Bíblia, ensinou que se a sua mão direita te fizer pecar, se deve amputá-la. E se o seu olho direito te fizer pecar, se deve arrancá-lo. Oferecer a outra face está inserido no mesmo contexto. Jesus não falou para os cristãos se mutilarem e nem para serem sacos de pancadas dos outros. Tudo isso é puro simbolismo.
         Um Pai da Igreja chamado Tito Flávio Clemente, conhecido como Clemente de Alexandria, foi um grande teólogo e filósofo cristão do século II. Clemente defendia a prática de esportes (inclusive, do Pancrácio, a arte marcial grega). Clemente de Alexandria relata que a prática do Pancrácio era comum entre os cristãos primitivos do segundo século. No século II, surgiram os primeiros filósofos e historiadores cristãos. Desde o primeiro século, existiam soldados cristãos, mas eram bem poucos, devido ao culto imperial e os sacrifícios aos deuses. Com certeza, no século I já existiam lutadores de Pancrácio cristãos (até porque todos os soldados aprendiam Pancrácio para poderem lutar nas guerras). No século II, o alistamento militar e a prática do Pancrácio se tornaram mais comuns entre os cristãos primitivos.
Existem cristãos que defendem o serviço militar e que condenam as artes marciais, mas isso é uma tremenda incoerência. Para eles, o cristão pode dar facada e dar tiro, só não pode dar porrada. Artes marciais significam literalmente "artes militares". Wushu significa literalmente "Técnica Militar". Os cristãos se abstendo da idolatria e usando a luta para o bem, não implica em problema algum a prática de artes marciais.

SOBRE A IDOLATRIA:

“Não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas cousas, com o uso, se destroem”. (Colossenses 2:21-22)  
Alguns “ex-satanistas” costumam propagar mentiras sobre as lutas esportivas, pois eles mentem descaradamente deturpando o contexto de versículos bíblicos (que não tem nada a ver com o assunto), e também distorcem o contexto histórico das artes marciais. Os leigos, ou seja, as pessoas que não conhecem as lutas esportivas, acabam acreditando em suas mentiras baseadas apenas em seu preconceito religioso ridículo.
“Um assunto controvertido no Cristianismo de hoje é se um cristão deve ou não praticar artes marciais. Alguns dizem que por causa de sua origem não-cristã (misticismo oriental), nenhuma forma de arte marcial deveria ser praticada por cristãos. Entretanto, uma origem não-cristã, por si só, não pode ser um fundamento suficiente para se rejeitar as artes marciais, uma vez que este ponto de vista comete o erro que chamamos de "falácia genética". O que isto quer dizer? Uma falácia é um argumento enganoso e sem fundamento. O termo "genética" quer dizer neste caso "origem". Assim, uma falácia genética é um argumento infundado que pressupõe que uma vez que a procedência de uma crença ou prática esteja errada (por não ter uma raiz cristã), sem considerar as suas modificações, ela ainda estaria errada hoje”.
            “De fato, se fôssemos coerentes ao aplicar esse tipo de lógica, nós deveríamos abandonar a astronomia, porque suas raízes encontram-se no método da astrologia. Entre os movimentos religiosos que usam e abusam da falácia genética se encontram as chamadas "Testemunhas de Jeová"; estas se recusam a comemorar aniversários natalícios, Natal e Ano-Novo, pelo simples fato de estas comemorações terem origem no paganismo. Em nenhum momento se leva em conta o desenvolvimento e a evolução de uma crença ou prática. Ao invés de cometer a falácia genética, seria melhor tentar verificar o quanto de influência as crenças originais podem ter sobre um objeto de discussão, antes de descartá-lo prematuramente”.
A primeira arte marcial a surgir foi à luta “Vajramushti”, que surgiu há mais de 5.000 anos atrás. Essa é uma arte marcial de origem indiana. Não sei muito sobre essa luta, mas sei que como todas as artes marciais, a sua origem é militar, isto é, ela foi criada para o combate, e não necessariamente para se cultuar os deuses. Se essa luta se originou na religião hindu ou qualquer outra religião pagã não importa, porque a origem não quer dizer nada. O que importa é o desenvolvimento dessa coisa durante o curso da História, pois muitas coisas (como as artes marciais) mudaram com o passar dos séculos, e sua influência idolátrica não é tão forte hoje como foi no passado. Portanto, há como separar a luta da idolatria. Inclusive, a aliança matrimonial também tem origem na religião hindu, mas nem por causa disso os religiosos que condenam as lutas esportivas deixam de usá-la.
             
O homem que criou o Kung Fu original foi Huang Di, o Imperador Amarelo, que além de ser militar, também era médico e um grande intelectual. Ao contrário do que muitos pensam, não foi Bodhidharma quem criou o Kung Fu, mas, sim, Huang Di. Tanto Huang Di quanto Bodhidharma eram homens bons que tinham caráter, ou seja, eles não eram maus por não terem conhecido a Deus. Ninguém lhes pregou o Evangelho da Salvação, portanto, não teria como esses grandes guerreiros se converterem mesmo. O Imperador Amarelo viveu há mais de 4.000 anos atrás, então, ele foi do Antigo Testamento (da Dinastia Qin). O 28º patriarca do Budismo foi do Novo Testamento, mas o Evangelho não havia chegado à China naquela época, portanto, não teria como ele se converter ao Cristianismo também. Mas, apesar desses precursores do Kung Fu não terem sido cristãos, eles ensinavam princípios e valores parecidos com os ensinamentos judaico-cristãos. Kwan Kun, o guerreiro lendário do Kung Fu, também era um bom exemplo a ser seguido, pois ele era muito íntegro, honesto, e honrado. Não devemos idolatrar esses homens, mas podemos seguir como bons exemplos os seus princípios de honra e de justiça.  
A guerra é uma arte, e artes marciais significam “artes militares”, ou seja, a sua origem não é religiosa, mas, sim, militar. As artes marciais não são um culto ao deus romano Marte, até porque, essas lutas esportivas são orientais, e Marte, é um deus ocidental. Wushu significa “Técnica Militar”, isto é, a origem do Kung Fu é o serviço militar chinês e não o culto ao Buda, até porque, Siddhartha Gautama nasceu provavelmente 1.500 anos depois de surgir o Wushu, portanto, não teria como essa arte marcial ter origem budista. Lao-Tsé também nasceu depois do surgimento do Kung Fu, portanto, o Wushu também não tem origem taoísta. Bodhidharma não foi o criador do Kung Fu, porque o Wushu surgiu há vários séculos antes dele nascer. O 28º patriarca do Budismo recodificou essa arte milenar, mas não a criou. Ele é apenas o criador do Kung Fu Shaolin, mas não do Wushu primitivo.
O teatro surgiu como um culto a Dionísio, conhecido também como Baco, o deus do bacanal. Hoje, o teatro é um excelente instrumento de evangelismo e não tem mais nada a ver com sua origem idólatra e pervertida, portanto, não vejo problema algum em usar esse talento dado por Deus para abençoar as vidas das pessoas. Deus já falou comigo através de peças teatrais e fui muito abençoado por cristãos que usam essa arte cênica para pregarem o Evangelho resgatando inúmeras vidas do Reino das Trevas. Os filmes bíblicos são feitos graças aos atores que vieram do teatro.

A saudação “Kin Lai” tem origem pagã, mas o aperto de mão também se originou no paganismo. Então, será que teremos que parar de apertar as mãos dos outros? Claro que não. Condenar as coisas por causa de sua origem é falácia genética, ou seja, algo sem fundamento algum. A saudação do Wushu é o mesmo que bater continência, isto é, é um gesto de respeito.    
Alguns religiosos hipócritas condenam muitos estilos de Kung Fu pelo simples fato dos lutadores imitarem os movimentos dos animais. Os lutadores que fazem isso não estão cultuando os animais, porque os mestres que criaram esses estilos não os criaram com a intenção de se cultuar os animais, mas, apenas, eles observavam os animais lutando pela sobrevivência e copiaram os seus movimentos. Outros fariseus condenam as artes marciais por causa das cores das faixas, mas foi Deus quem criou todas as cores e não o Diabo. Em cada cultura as cores têm os seus significados, mas nenhuma cor influencia as vidas dos cristãos.
Um argumento muito usado pelos religiosos fanáticos é que tudo o que o Diabo usa é dele. O interessante é que Satanás usou a Palavra de Deus para tentar Jesus no deserto. Os versículos bíblicos usados fora de contexto podem levar a perdição. Portanto, todas as coisas podem ser usadas tanto para o bem quanto para o mal.
Alguns “ex-satanistas” adoram demonizar as lutas esportivas alegando que são coisas do Diabo. O interessante desses “ex-satanistas” é que eles aparentemente permanecem satanistas, porque continuam ensinando os ensinamentos satânicos que aprenderam no Satanismo. A verdade bíblica é que Satanás não é dono de nada, porque nem a chave da própria casa ele tem. Jesus Cristo tem as chaves da morte e do Inferno.

CONCLUSÃO:

Como podemos ver na Bíblia, há casos em que a violência pode ser usada, se for para se defender ou para proteger alguém. Nós, cristãos, não devemos ter prazer na violência, ou seja, gostar de machucar os outros, mas muitas vezes, precisamos usar a força bruta para combater o mal por um bem maior. Eu, particularmente, sou totalmente contra UFC/MMA, porque para mim isso apenas denigre a imagem das artes marciais. As lutas esportivas devem ser usadas para a defesa pessoal, e até mesmo como esporte. Nessas lutas, geralmente, os lutadores usam protetores, que é justamente, porque o objetivo verdadeiro das artes marciais não é ferir o semelhante por prazer, mas, sim, aprimorar as técnicas de luta. O objetivo dos torneios é mostrar as técnicas e não ferir o oponente. Condenar as artes marciais por causa de sua origem é coisa de gente imbecil, pois teria que se condenar outras coisas de origem pagã também, e não só as lutas esportivas. Segundo João Batista e os apóstolos, Pedro e Paulo, combater não é errado. Na Igreja Primitiva, existiam militares cristãos que combatiam e não se envolviam com a idolatria grego-romana, portanto, é possível lutar sem cultuar outros deuses. Hoje, existem academias cristãs onde os alunos não reverenciam quadros, estátuas e tatames, ou seja, eles não se envolvem com práticas idolátricas. Todos os cristãos têm o direito de pensarem como quiser, mas eles não podem condenar o que não conhecem e nem julgar injustamente irmãos inocentes. Os cristãos podem lutar artes marciais sim, portanto, que se abstenham da idolatria, e não usem a luta para o mal.

AUTOR: Filipe Levi Viasoni da Silva, historiador e professor de História.






quinta-feira, 3 de agosto de 2017

OS CRISTÃOS PRIMITIVOS PREGAVAM CONTRA O SERVIÇO MILITAR?

Será mesmo verdade que todos os cristãos primitivos eram pacifistas e pregavam contra o serviço militar? Tenho a mera impressão de que Clemente de Alexandria (Tito Flávio Clemente), que Ireneu de Lyon, que Eusébio de Cesaréia, que Policarpo de Esmirna e que Clemente de Roma discordariam dessa afirmação, pois todos esses Pais da Igreja reconheciam que as autoridades governamentais são legítimas e estabelecidas por Deus. Clemente de Alexandria, Ireneu de Lyon e Eusébio de Cesaréia defendiam a guerra justa abertamente. Paulo declarou abertamente que as autoridades governamentais são estabelecidas por Deus (e não por Satanás) e que são ministros de Deus (e não do Diabo) para punir os maus e louvar os bons (Romanos 13:1-7). Pedro reconhecia a legitimidade das autoridades legalmente constituídas também e considerava o uso da força por parte do Estado para castigar os malfeitores legítimo também (1 Pedro 2:13-17). João Batista quando batizou alguns soldados não lhes aconselhou a abandonar o serviço militar, pelo contrário, ele lhes aconselhou a serem bons soldados (Lucas 3:14). A Bíblia, a Palavra de Deus, nunca condenou o serviço militar, tampouco, Jesus e os seus apóstolos. (Filipe Levi)

O DEUS DA JUSTIÇA

Será mesmo que Deus é só "paz e amor"? O Deus da Bíblia xingava os apóstatas e falsos profetas de filhos de prostitutas e meretrizes (de filhos da puta mesmo). O Jesus da Bíblia xingava os religiosos mercenários (muito parecidos com os evangélicos de hoje) de cães e de porcos, de víboras e de lobos, de hipócritas e de falsos. O Espírito Santo (que inspirou a Bíblia, a Palavra de Deus) nos relata isso nas Escrituras. O Deus "paz e amor" lança os pecadores nas chamas do Inferno, para que esses infelizes sofram e agonizem por toda a eternidade, noite e dia, sem descanso, para todo o sempre. Deus criou Satanás, o Diabo. Deus criou o Inferno (Hades) e o Lago de Fogo (Tártaro). Como o Deus da Bíblia é bonzinho, não é mesmo? O Deus da Bíblia estabeleceu as autoridades governamentais (polícia e Forças Armadas) para castigar os malfeitores mesmo, ou seja, para punir os culpados. Mas, Deus não era só "paz e amor"? Não, seus idiotas, Deus também é justiça. Deus sabe tudo o que vocês fazem. Lamento dizer para vocês, mas Deus não é cego, nem surdo e nem burro. A essência de Deus é o amor, mas os seus princípios são de justiça. Deus é amor, mas também resplendece justiça. (Filipe Levi)


terça-feira, 25 de julho de 2017

VIDA E OBRA DE RICHARD BAXTER


Vida e Obra de Richard Baxter

Por Fernando Corrêa Pinto

De acordo com James Innell Packer, Richard Baxter foi um líder, escritor e pastor da Igreja da Inglaterra. Nascido em 12 de novembro de 1615, em Rowton, Solape, foi educado na Escola Livre de Doninton, em Wroxeter sob orientação particular. Em 1638, foi ordenado diácono pelo Bispo de Worcester. Em 1639, tornou-se diretor da Escola de Richard Foley e vigário de Bridgenorth onde permaneceu até 1640. De 1641 a 1642, foi vigário predicante de Kidderminster e, após um período de trabalho como capelão no exército, retorna e se torna vigário de Kidderminster no ano de 1647, permanecendo até 1661. Casou-se com Margaret Charlton em 1636. Foi preso em Clerkenwell durante uma semana em 1636 e, em Southwark, por 21 meses no ano de 1685 e 1686. Baxter morreu em 8 de dezembro de 1691.
Richard Baxter foi homem de grande cultura, bom argumentador e com capacidade de fazer ligeiras análises que possibilitava reforçar suas idéias em debates. Como teólogo, pensou de forma eclética entre as doutrinas da graça reformada, arminiana e romana. Algumas de suas idéias foram criticadas até mesmo dentro do movimento puritano no qual foi educado, como veremos à frente.[1]
Vida pública
Considerando sua vida pública e política, Baxter não teve grande desempenho como afirma James M. Houston. “Como estadista Baxter foi um fracasso. Recusou o bispado quando lhe foi oferecido. E, embora sendo o principal porta-voz dos não conformistas durante vinte anos, era demasiado franco para liderá-los politicamente.” [2] Mesmo que ele buscasse a paz em meio à divisão, muitas vezes era duro, o que o impossibilitava de construir acessos. Durante um período, serviu como capelão do exército de Cromwell, todavia, ele não desfrutou do favor da corte, pois os poderosos de lá eram demasiadamente católicos, e não suportavam o extremismo religioso que marcou a década de 1650. Quando Baxter foi convidado para pregar diante de Cromwell, ele enfaticamente prega um sermão duro que criticava as políticas religiosas do governo.[3]
No reinado de Carlos II, Baxter foi convidado para assumir o episcopado em Herefort, contudo rejeitou-o e preferiu solicitar que retornasse ao seu posto de pastor em Kidderminster. Seu pedido foi negado e, em 1662, o Ato de Uniformidade o colocou para fora da Igreja da Inglaterra juntamente com outros ministros. Após esse momento, sua vida foi marcada pela perseguição até 1686.[4]
Dedicação pastoral
Referente ao ministério pastoral, ele foi bem sucedido como descreve Packer: “Como pastor, Baxter era incomparável – essa é a capacidade que nos interessa agora. Seus efeitos em Kiddrminster foram notáveis. A Inglaterra não viu antes nenhum ministério como o de Baxter.” [5]
Em seu trabalho pastoral, cuidava individualmente de cada um que se dirigia a ele. Seu método era através do aconselhamento pastoral. Ensinava à comunidade sistematicamente utilizando o método de perguntas e respostas. O fruto deste trabalho foi o aumento das famílias que se achegavam à congregação. O templo do culto suportava um número de mil pessoas e, mesmo assim, foi necessário construir cinco galerias. Mais tarde, mesmo após a sua ausência, a comunidade continua o seu crescimento. Em seus sermões, que ocorriam normalmente no domingo e na quinta feira com duração média de uma hora, Baxter discorria sobre as doutrinas básicas do cristianismo. Para ele, o ensino era a principal tarefa do pastor.[6] Baxter também procurava trazer o ensinamento fora do púlpito. Durante a semana, oferecia fóruns pastorais com discussões, orações e discipulada individualmente cada membro de sua igreja. Distribuía Bíblias e livros cristãos de sua autoria de forma gratuita. Ele recomendava que cada cristão se esforçasse em procurar com regularidade seus pastores para expor suas dificuldades, a fim de que pudessem avaliar a saúde espiritual de sua congregação.[7]
Em dezembro de 1743, quando George Whitefield visitou a congregação de Kidderminster, escreve a um amigo que a obra e a disciplina de Baxter permaneceram até os seus dias.[8]
Sua influência
O que podemos dizer claramente acerca da influência de Baxter pode ser encontrado na tradição puritana. Ele cresce em um lar puritano rígido, mas cheio de amor e afeição. Teologicamente ele foi autodidata, estudando em sua residência. Quando completou dezenove anos, sofreu a perda de sua mãe e daí em diante buscou a companhia dos ministros puritanos de quem recebe maior influência. Contudo, Baxter, mesmo sendo um homem do século 17 e escrevendo para puritanos, menciona cristãos, como Agostinho, Gregório, Cipriano, Bernardo de Claraval e outros posteriores a estes.[9]
Após a sua saída de Kiddrminster, Baxter passou um período morando em Acton. Neste tempo, ele conheceu o teólogo e bispo James Usser da Irlanda, que o motivaria a resgatar a tradição puritana da “teologia prática” que consistia em explorar o mandamento de amar a Deus totalmente e ao próximo como a si mesmo.[10]
Mesmo que Baxter possuísse bastante influência da teologia calvinista, ele não faz campanha pela mesma, mas enfatiza a reforma, no caso, do ministério como uma prática que consiste em ensinar, catequizar e ser modelo para o rebanho.[11]
A quem Baxter influenciou
Teólogos, pastores e pregadores foram influenciados pelos escritos de Baxter e podemos destacar alguns de grande importância para a história da Igreja Cristã.
O primeiro a ser considerado foi o líder do pietismo alemão Philip Jakob Spener. Ainda quando era estudante em Estrasburgo, foi profundamente influenciado pelo livro de Baxter, “The Reformed Pastor”, traduzido para o alemão em 1716.
Vemos também a influência desta obra na vida do pastor, escritor e teólogo do século 18 Philip Doddridge. Ele considerava de grande importância esta obra e incentivava todo jovem ministro a ler antes de tomar um rebanho em sua responsabilidade. Defendia também a ideia de que os ensinamentos práticos do livro deveriam ser estudados novamente de três a quatro anos pelos pastores.[12]
John Wesley foi leitor dos escritos de Baxter. Em uma conferência metodista, ele afirma que todo pregador deveria instruir seu povo de casa em casa e que não existia melhor método para instruí-los do que o método de Richard Baxter. Mais tarde, os metodistas Charles Wesley e William Grinshaw concordam que os pregadores deveriam visitar de casa em casa como o método de Baxter.[13]
Como já referi em outro momento, George Whitfield, ao visitar o vilarejo de Kinderminster, fica impressionado com os efeitos do ministério de Baxter naquele lugar.
Em 19 de agosto de 1810 o ministro metodista nas Américas, Francis Asbury se alegra com o presente que ganhara, era um exemplar do livro de Baxter, The Reformed Pastor.
Também temos no século 19 o ministro e pastor Charles Spurgeon solicitando a sua esposa que, nos domingos após as suas pregações, lesse em alta voz o livro The Reformed Pastor.
Além da obra The Reformed Pastor, traduzida para a língua portuguesa como O pastor Aprovado, Baxter produziu dezenas de outras obras. Uma de grande importância foi Christian Directory a quem o ministro e professor de Teologia no Regent College em Vancouver, Canadá, J.I Paker, considera uma obra importantíssima para a espiritualidade cristã.[14]
[1] PACKER Apud BAXTER, 1996, p. 7.
[2] HOUSTON apud BAXTER, Richard.
O pastor aprovado. Trad: Odayr Olivetti. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1996. p. 10.
[3] SWAW, Mark. Lições de Mestre: 10 insights para a edificação da igreja local. Trad: Jarbas Aragão. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p. 111.
[4] Ibid., p. 112.
[5] PACKER Apud BAXTER. 2008, p, 8
[6] Ibid., p. 9.
[7] Ibid., p. 10.
[8] Ibid., p. 9.
[9] HOUSTON Apud BAXTER, 1996, p 11.
[10] SWAW, 2004. P. 113.
[11] RYKEN, Leland. Santos no Mundo: Os puritanos como Realmente Eram. São José dos Campos: Editora Fiel, 1992. p 11.
[12] HOUSTON Apud BAXTER, 1996, p 12.
[13] PACKER Apud BAXTER, 200, p. 11.
[14] SWAW, 2004, p. 110.


GEORGE WHITEFIELD


Pregador ao ar livre
(1714-1770)
Mais de 100 mil homens e mulheres rodeavam o prega­dor, há mais de duzentos anos, em Cambuslang, Escócia. As palavras do sermão, vivificadas pelo Espírito Santo, ou­viam-se distintamente em todas as partes que formavam esse mar humano. É-nos difícil fazer uma idéia do vulto da multidão de 10 mil penitentes que responderam ao apelo para se entregarem ao Salvador. Estes acontecimentos ser­vem-nos como um dos poucos exemplos do cumprimento das palavras de Jesus: "Na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fa­rá maiores do que estas, porque vou para meu Pai" (João 14.12).
Havia "como um fogo ardente encerrado nos ossos" deste pregador, que era Jorge Whitefield. Ardia nele um zelo santo de ver todas as pessoas libertas da escravidão do pecado. Durante um período de vinte e oito dias fez a incrí­vel façanha de pregar a 10 mil pessoas diariamente. Sua voz se ouvia perfeitamente a mais de um quilômetro de distância, apesar de fraco de físico e de sofrer dos pulmões. Não havia prédio no qual coubessem os auditórios e, nos países onde pregou, armava seu púlpito nos campos, fora das cidades. Whitefield merece o título de príncipe dos pregadores ao ar livre, porque pregava em média dez vezes por semana, e isso fez durante um período de trinta e qua­tro anos, em grande parte sob o teto construído por Deus -os céus.
A vida de Jorge Whitefield era um milagre. Nasceu em uma taberna de bebidas alcoólicas. Antes de completar três anos, seu pai faleceu. Sua mãe casou-se novamente, mas a Jorge foi permitido continuar os estudos na escola. Na pensão de sua mãe, fazia a limpeza dos quartos, lavava roupa e vendia bebidas no bar. Estranho que pareça e ape­sar de não ser salvo, interessava-se grandemente pela lei­tura das Escrituras, lendo a Bíblia até alta noite prepa­rando sermões. Na escola era conhecido como orador: Sua eloqüência era natural e espontânea, um dom extraordiná­rio de Deus, dom que possuía sem ele mesmo saber.
Custeou os próprios estudos em Pembroke College, Ox­ford, servindo como garçom em um hotel. Depois de estar algum tempo em Oxford, ajuntou-se ao grupo de estudan­tes a que pertenciam João e Carlos Wesley. Passou muito tempo, como os demais do grupo, jejuando e esforçando-se para mortificar a carne, a fim de alcançar a salvação, sem compreender que "a verdadeira religião é a união da alma com Deus e a formação de Cristo em nós."
Acerca da sua salvação, escreveu algum tempo antes de morrer: "Sei o lugar onde... Todas as vezes que vou a Ox­ford, sinto-me impelido a ir primeiro a este lugar onde Je­sus se revelou a mim, pela primeira vez, e me deu o novo nascimento".
Com a saúde abalada, talvez pelo excesso de estudo, Jorge voltou a casa para recuperá-la. Resolvido a não cair no indiferentismo, inaugurou uma classe bíblica para jo­vens que, como ele, desejavam orar e crescer na graça de Deus. Visitavam diariamente os doentes e os pobres e, freqüentemente, os prisioneiros nas cadeias, para orarem com eles e prestarem-lhes qualquer serviço manual que pudes­sem. Jorge tinha no coração um plano que consistia em pre­parar cem sermões e apresentar-se para ser separado para o ministério. Porém quando havia preparado apenas um sermão, seu zelo era tanto, que a igreja insistia em ordená-lo, tendo penas vinte e um anos apesar de ser regra não aceitar ninguém para tal cargo, com menos de 23 anos.
O dia antes da sua separação para o ministério, passou-o em jejum e oração. Acerca desse fato, ele escreveu: "À tarde, retirei-me para um alto, perto da cidade, onde orei com instância durante duas horas, pedindo a meu favor e também por aqueles que estavam para ser separados comi­go. No domingo, levantei-me de madrugada e orei sobre o assunto da epístola de Paulo a Timóteo, especialmente sobre o preceito: 'Ninguém despreze a tua mocidade'. Quando o ancião me impôs as suas mãos, se meu vil cora­ção não me engana, ofereci todo o meu espírito, alma e cor­po para o serviço no santuário de Deus... Posso testificar; perante os céus e a terra, que dei-me a mim mesmo, quan­do o ancião me impôs as mãos, para ser um mártir por aquele que foi pregado na cruz em meu lugar".
Os lábios de Whitefield foram tocados pelo fogo divino do Espírito Santo na ocasião da sua separação para o mi­nistério. No domingo seguinte, naquela época de gelo espi­ritual, pregou pela primeira vez. Alguns se queixaram de que quinze dos ouvintes enlouqueceram ao ouvirem o ser­mão. O ancião, porém, compreendendo o que se passava, respondeu que seria muito bom, se os quinze não se esque­cessem da sua "loucura" antes de chegar o outro domingo.
Whitefield nunca se esqueceu nem deixou de aplicar a si as seguintes palavras do Doutor Delaney: "Desejo, todas as vezes que subir ao púlpito, considerar essa oportunida­de como a última que me é dada de pregar, e a última dada ao povo de ouvir". Alguém assim escreveu sobre uma de suas pregações: "Quase nunca pregava sem chorar e sei que as suas lágrimas eram sinceras. Ouvi-o dizer: 'Vós me censurais porque choro. Mas, como posso conter-me, quando não chorais por vós mesmos, apesar das vossas al­mas mortais estarem a beira da destruição? Não sabeis se estais ouvindo o último sermão, ou não, ou se jamais tereis outra oportunidade de chegar a Cristo!" Chorava, às vezes, até parecer que estava morto e custava a recuperar as forças. Diz-se que os corações da maioria dos ouvintes eram derretidos pelo calor intenso de seu espírito, como prata na fornalha do refinador.
Quando estudante no colégio de Oxford, seu coração ar­dia de zelo e pequenos grupos de alunos se reuniam no seu quarto, diariamente; eles eram movidos, como os discípu­los logo depois do derramamento do Espírito Santo, no Pentecoste. O Espírito continuou a operar poderosamente nele e por ele durante o resto da sua vida, porque nunca abandonou o costume de buscar a presença de Deus. Divi­dia o dia em três partes: oito horas sozinho com Deus e em estudos, oito horas para dormir e as refeições, oito horas para o trabalho entre o povo. De joelhos, lia, e orava sobre as leituras das Escrituras e recebia luz, vida e poder. Le­mos que numa das suas visitas aos Estados Unidos, "pas­sou a maior parte da viagem a bordo, sozinho em oração". Alguém escreveu sobre ele: "Seu coração encheu-se tanto dos céus que anelava por um lugar onde pudesse agradecer a Deus; e sozinho, durante horas, chorava comovido pelo amor consumidor do seu Senhor". Suas experiências no ministério confirmavam a sua fé na doutrina do Espírito Santo, como o Consolador ainda vivo, o poder de Deus ope­rando atualmente entre nós.
A pregação de Jorge Whitefield era feita de forma tão vivida que parecia quase sobrenatural. Conta-se que, certa vez pregando a alguns marinheiros, descreveu um navio perdido num furacão. Tudo foi apresentado em manifesta­ções tão reais que, quando chegou ao ponto de descrever o barco afundando, alguns marinheiros pularam dos assen­tos, gritando: "Às baleeiras! Às baleeiras!". Em outro ser­mão falou acerca dum cego andando na direção dum pre­cipício desconhecido. A cena foi tão real que, quando o pre­gador chegou ao ponto de descrever a chegada do cego à beira do profundo abismo, o camareiro-mor, Chesterfield, que assistia, deu um pulo gritando: "Meu Deus! ele desa­pareceu!"
O segredo, porém, da grande colheita de almas salvas não era a sua maravilhosa voz nem a sua grande eloqüên­cia. Não era também porque o povo tivesse o coração aberto para receber o Evangelho, porque era tempo de grande decadência espiritual entre os crentes.
Também não foi porque lhe faltasse oposição. Repeti­das vezes Whitefield pregou nos campos, porque as igrejas fecharam-lhe as portas. Às vezes nem os hotéis queriam aceitá-lo como hóspede. Em Basingstoke foi agredido a pauladas. Em Staffordshire atiraram-lhe torrões de terra. Em Moorfield destruíram a mesa que lhe servia de púlpito e arremessaram contra ele o lixo da feira. Em Evesham, as autoridades, antes de seu sermão, ameaçaram prendê-lo, se pregasse. Em Exeter, enquanto pregava a dez mil pes­soas, foi apedrejado de tal forma que pensou haver chega­do para ele a hora, como o ensangüentado Estevão, de ser imediatamente chamado à presença do Mestre. Em outro lugar, apedrejaram-no novamente, até ficar coberto de sangue. Verdadeiramente levava no corpo, até a morte, as marcas de Jesus.
O segredo de tais frutos na sua pregação era o seu amor para com Deus. Quando ainda muito novo, passava noites inteiras lendo a Bíblia, que muito amava. Depois de se converter, teve a primeira daquelas experiências de sentir-se arrebatado, ficando a sua alma inteiramente aberta, cheia, purificada, iluminada da glória e levada a sacrifi­car-se, inteiramente, ao seu Salvador. Desde então nunca mais foi indiferente em servir a Deus, mas regozijava-se no alvo de trabalhar de toda a sua alma, e de todas as suas forças, e de todo seu entendimento. Só achava interesse nos cultos e escreveu para sua mãe que nunca mais volta­ria ao seu emprego. Consagrou a vida completamente a Cristo. E a manifestação exterior daquela vida nunca exce­dia a sua realidade interior, portanto, nunca mostrou can­saço nem diminuiu a marcha durante o resto de sua vida.
Apesar de tudo, ele escreveu: "A minha alma era seca como o deserto. Sentia-me como encerrado dentro duma armadura de ferro. Não podia ajoelhar-me sem estar toma­do de grandes soluços e orava até ficar molhado de suor... Só Deus sabe quantas noites fiquei prostrado, de cama, ge­mendo, por causa do que sentia, e ordenando, em nome de Jesus, que Satanás se apartasse de mim. Outras vezes pas­sei dias e semanas inteiros prostrado em terra, suplicando para ser liberto dos pensamentos diabólicos que me dis­traíam. Interesse próprio, rebelião, orgulho e inveja me atormentavam, um após outro, até que resolvi vencê-los ou morrer. Lutei até Deus me conceder vitória sobre eles".
Jorge Whitefield considerava-se um peregrino errante no mundo, procurando almas. Nasceu, criou-se e diplo­mou-se na Inglaterra. Atravessou o Atlântico treze vezes. Visitou a Escócia quatorze vezes. Foi ao País de Gales vá­rias vezes. Visitou uma vez a Holanda. Passou quatro me­ses em Portugal. Nas Bermudas, ganhou muitas almas para Cristo, como nos demais lugares onde trabalhou.
Acerca do que sentiu em uma das viagens à colônia da Geórgia, Whitefield escreveu: 'Foram-me concedidas ma­nifestações extraordinárias do alto. Cedo de manhã, ao meio-dia, ao anoitecer e à meia-noite, de fato durante o dia inteiro, o amado Jesus me visitava para renovar-me o cora­ção. Se certas árvores perto de Stonehourse pudessem fa­lar, contariam acerca da doce comunhão, que eu e algumas almas amadas desfrutamos ali com Deus, sempre bendito. Às vezes, quando de passeio, a minha alma fazia tais in­cursões pelas regiões celestes, que parecia pronta a aban­donar o corpo. Outras vezes sentia-me tão vencido pela grandeza da majestade infinita de Deus, que me prostrava em terra e entregava-lhe a alma, como um papel em bran­co, para Ele escrever nela o que desejasse. De uma noite nunca me esquecerei. Relampejava excessivamente. Eu pregara a muitas pessoas e algumas ficaram receosas de voltar a casa. Senti-me dirigido a acompanhá-las e apro­veitar o ensejo para as animar a se prepararem para a vin­da do Filho do homem. Oh! que gozo senti na minha alma! Depois de voltar, enquanto alguns se levantavam das suas camas, assombrados pelos relâmpagos que andavam pelo chão e brilhavam duma parte do céu até outra, eu com mais um irmão ficamos no campo adorando, orando, exul­tando ao nosso Deus e desejando a revelação de Jesus dos céus, uma chama de fogo!"
- Como se pode esperar outra coisa a não ser que as multidões, a quem Whitefield pregava, fossem levadas a bus­car a mesma Presença? Na sua biografia há um grande nú­mero de exemplos como os seguintes: "Oh! quantas lágrimas foram derramadas, com forte clamor, pelo amor do querido Senhor Jesus! Alguns desmaiavam e quando re­cobravam as forças, ouviam e desmaiavam de novo. Ou­tros gritavam como quem sente a ânsia da morte. E depois de eu findar o último discurso, eu mesmo senti-me tão ven­cido pelo amor de Deus que quase fiquei sem vida. Contu­do, por fim, revivi e, depois de me alimentar um pouco, es­tava fortalecido bastante para viajar cerca de trinta quilô­metros, até Nottingham. No caminho, a alma alegrou-se cantando hinos. Chegamos quase à meia-noite; depois de nos entregarmos a Deus em oração, deitamo-nos e descan­samos na proteção do querido Senhor Jesus. Oh! Senhor, jamais existiu amor como o teu!"
Então Whitefield continuou, sem cansar: "No dia se­guinte em Fog's Manor, a concorrência aos cultos foi tão grande como em Nottingham. O povo ficou tão quebrantado que, por todos os lados, vi pessoas banhadas em lágri­mas. A palavra era mais cortante que espada de dois gu­mes e os gritos e gemidos alcançavam o coração mais endu­recido. Alguns tinham semblantes pálidos como a palidez de morte; outros torciam as mãos, cheios de angústia; ain­da outros foram prostrados ao chão, ao passo que outros caíam e eram aparados nos braços de amigos. A maior par­te do povo levantava os olhos para os céus, clamando e pe­dindo a misericórdia de Deus. Eu, enquanto os contempla­va, só podia pensar em uma coisa: o grande dia. Pareciam pessoas acordadas pela última trombeta, saindo dos seus túmulos para o juízo."
"O poder da presença divina nos acompanhou até Baskinridge, onde os arrependidos choravam e os salvos ora­vam, lado a lado. O indiferentismo de muitos transformou-se em assombro, e o assombro, depois, em grande alegria. Alcançou todas as classes, idades e caracteres. A embria­guez foi abandonada por aqueles que eram dominados por esse vício. Os que haviam praticado qualquer ato de injus­tiça foram tomados de remorso. Os que tinham furtado fo­ram constrangidos a fazer restituição. Os vingativos pedi­ram perdão. Os pastores ficaram ligados ao seu povo por um vínculo mais forte de compaixão. O culto doméstico foi iniciado nos lares. Os homens foram levados a estudar a Palavra de Deus e a terem comunhão com o seu Pai, nos céus".
Mas não foi somente os países populosos que o povo afluiu para o ouvir. Nos estados Unidos, quando eram ain­da um país novo, ajuntaram-se grandes multidões dos que moravam longe um do outro, nas florestas. O famoso Ben­jamim Franklin, no seu jornal, assim noticiou essas reu­niões: "Quinta-feira o reverendo Whitefield partiu de nos­sa cidade, acompanhado de cento e cinqüenta pessoas a cavalo, com destino a Chester, onde pregou a sete mil ou­vintes, mais ou menos. Sexta-feira pregou duas vezes em Willings Town a quase cinco mil; no sábado, em Newcas­tle, pregou a cerca de duas mil e quinhentas, e na tarde do mesmo dia, em Cristiana Bridge, pregou a quase três mil; no domingo, em White Clay Creek, pregou duas vezes (descansando uma meia hora entre os sermões a oito mil pessoas, das quais, cerca de três mil, tinha vindo a cavalo. Choveu a maior parte do tempo, porém, todos se conserva­ram em pé, ao ar livre".
Como Deus estendeu a sua mão para operar prodígios por meio de seu servo, vê-se no seguinte: Num estrado pe­rante a multidão, depois de alguns momentos de oração em silêncio, Whitefield anunciou de maneira solene o tex­to: "É ordenado aos homens que morram uma só vez, e de­pois disto vem o juízo". Depois de curto silêncio, ouviu-se um grito de horror, vindo dum lugar entre a multidão. Um pregador presente foi até o local da ocorrência, para saber o que tinha acontecido. Logo voltou e disse: - "Irmão Whi­tefield, estamos entre os mortos e os que estão morrendo. Uma alma imortal foi chamada à eternidade. O anjo da destruição está passando sobre o auditório. Clame em alta voz e não cesse". Então foi anunciado ao povo que um den­tre a multidão havia morrido. Então Whitefield leu a se­gunda vez o mesmo texto: "É ordenado aos homens que morram uma só vez". Do local onde a Senhora Huntington estava em pé, veio outro grito agudo. De novo, um tremor de horror passou por toda a multidão quando anunciaram que outra pessoa havia morrido. Whitefield, porém, em vez de ficar tomado de pânico, como os demais, suplicou graça ao Ajudador invisível e começou, com eloqüência tremenda, a prevenir os impenitentes do perigo. Não deve­mos concluir, contudo, que ele era ou sempre solene ou sempre veemente. Nunca houve quem experimentasse mais formas de pregar do que ele.
Apesar da sua grande obra, não se pode acusar White­field de procurar fama ou riquezas terrestres. Sentia fome e sede da simplicidade e sinceridade divina. Dominava to­dos os seus interesses e os transformava para glória do rei­no do seu Senhor. Não ajuntou ao redor de si os seus con­vertidos para formar outra denominação, como alguns es­peravam. Não, apenas dava todo o seu ser, mas queria "mais línguas, mais corpos, mais almas a usar para o Se­nhor Jesus".
A maior parte de suas viagens à América do Norte fo­ram feitas a favor do orfanato que fundara na colônia da Geórgia. Vivia na pobreza e esforçava-se para granjear o necessário para o orfanato. Amava os órfãos ternamente, escrevendo-lhes cartas e dirigindo-se a cada um pelo no­me. Para muitas dessas crianças, ele era o único pai, o úni­co meio de elas terem o sustento. Fez uma grande parte da sua obra evangelística entre os órfãos e quase todos perma­neceram crentes fiéis, sendo que um bom número deles se tornaram ministros do Evangelho.
Whitefield não era de físico robusto: desde a mocidade sofria quase constantemente, anelando, muitas vezes, par­tir e estar com Cristo. A maior parte dos pregadores acham impossível pregar quando estão enfermos como ele.
Assim foi que, aos 65 anos de idade, durante sua sétima viagem à América do Norte, findou a sua carreira na Ter­ra, uma vida escondida com Cristo em Deus e derramada num sacrifício de amor pelos homens. No dia antes de fale­cer, teve de esforçar-se para ficar em pé. Porém, ao levan­tar-se, em Exeter, perante um auditório demasiado grande para caber em qualquer prédio, o poder de Deus veio sobre ele e pregou, como de costume, durante duas horas. Um dos que assistiram disse que "seu rosto brilhava como o sol". O fogo aceso no seu coração no dia de oração e jejum, quando da sua separação para o ministério, ardeu até den­tro dos seus ossos e nunca se apagou (Jeremias 20.9).Certo homem eminente dissera a Whitefield: "Não es­pero que Deus chame o irmão, breve, para o lar eterno, mas quando isso acontecer, regozijar-me-ei ao ouvir o seu testemunho". O pregador respondeu: "Então ficará desa­pontado; morrerei calado. A vontade de Deus é dar-me tan­tos ensejos para testificar dele durante minha vida, que não me serão dados outros na hora da morte".
E sua morte ocorreu como predissera.
Depois do sermão, em Exeter, foi a Newburyport para passar a noite na casa do pastor. Ao subir para o quarto de dormir, virou-se na escada e, com a vela na mão, proferiu uma curta mensagem aos amigos que ali estavam e insis­tiam em que pregasse.
Às duas horas da madrugada acordou. Faltava-lhe o fô­lego e pronunciou para o seu companheiro as suas últimas palavras na Terra: "Estou morrendo".
No seu enterro, os sinos das igrejas de Newburyport dobraram e as bandeiras ficaram a meia-haste. Ministros de toda a parte vieram assistir aos funerais; milhares de pessoas não conseguiram chegar perto da porta da igreja, por causa da imensa multidão. Conforme seu pedido, foi enterrado sob o púlpito da igreja.
Se quisermos os mesmos frutos de ver milhares salvos, como Jorge Whitefield os teve, temos de seguir o seu exem­plo de oração e dedicação.
- Alguém pensa que é tarefa demais? Que diria Jorge Whitefield, junto, agora, com os que levou a Cristo, se lhe fizéssemos essa pergunta?
(extraído do livro heróis da fé)


segunda-feira, 24 de julho de 2017

A LÁGRIMA E O CLAMOR DOS QUE NÃO PODEM OFERECER RESISTÊNCIA


A LÁGRIMA E O CLAMOR DOS QUE NÃO PODEM OFERECER RESISTÊNCIA

Por Fabio Campos

“Vejam, o salário dos trabalhadores que ceifaram os seus campos, e que por vocês foi retido com fraude, está clamando contra vocês. O lamento dos ceifeiros chegou aos ouvidos do Senhor dos Exércitos.” - Tiago 5:4 (NVI)


A carta escrita por Tiago – meio irmão de Jesus - é considerada uma obra literária de sabedoria a estilo do Antigo Testamento, ainda que com evidentes premissas cristãs. O autor se mostra prático e livre de embaraçosos teológicos, em sua ênfase. 

Hoje, talvez, a carta não seria estimada pela “extrema direita” já que sua abordagem coloca no centro o pobre, a viúva e o desfavorecido. A esquerda, no entanto, também não aceitaria o escrito de bom grado, pois Tiago preserva na epístola os “bons costumes” do judaísmo.  Se a extrema direita é perigosa e egoísta; a esquerda é, ontologicamente, imoral! Qualquer premissa da esquerda que ouse levantar a bandeira de sua pseudo-virtude usando o escrito de Tiago, cai logo, ao chegar na segunda parte do verso de Tg 1.28: “...não se deixar corromper pelo mundo”.

Tiago estava condenando patrões ímpios de crentes pobres, responsáveis em grande parte pela miséria e sofrimento pelos quais os pobres passavam por ocasião desta carta. 

Percebemos por aqui (e vários são os textos das Escrituras a esse respeito) que Deus jamais se ausenta neste tipo de situação. Ele nunca esteve do lado da opressão e do opressor. A demora de seu juízo, entretanto, não significa a procrastinação do mesmo. Há um tempo determinado para todas as coisas. Tiago diz que, a prosperidade destes ricos gananciosos era tão somente o preparo para a execução do juízo.

Os ricos opressores teve sua vida na terra, como o boi cevado que nem desconfia da finalidade pela qual o seu dono empanturra de comida todo o dia; os ricos são engordados com as riquezas e prazeres obtidos e desfrutados de forma ilícita, para que, quando chegarem ao matadouro do juízo, estejam prontos para o abate de seu coração perverso (v.3). 

Passaram sua vida toda nutrindo aquilo que os haveria de destruí-los pela eternidade a fora. Suas riquezas não serão aproveitadas no dia da ira (Pv 11.4; 10.2), pois, “o que dará o homem em troca da sua alma (Mt 16.8)?” 

Toda a pompa luxuosa de suas vestes será roída pelas traças. A Escritura traz através desta ilustração, “roupas roídas”, o castigo de Deus que virá sobre o arrogante e a opulência dos ímpios (Sl 39.11; Is 50.9; 51.8; Os 5.12).

O Criador fez todas as coisas para que pudéssemos delas desfrutar e alegrar o nosso coração (At 14.17). Não é pecado desfrutar dos prazeres da vida. O próprio Deus por vezes permite que seus filhos façam isso. No caso aqui, pelo qual vem a denuncia de Tiago é o viver regaladamente à custa do pobre, que além de gemer pela dura cerviz, também tinha o salário retido com fraude. Estes pobres eram condenados e mortos, sem que pudessem oferecer resistência (Tg 5.6). Ninguém era por eles. Deus, contudo, toma partido e lança justiça sobre a injustiça.

O Senhor toma a causa da ovelha que tem sua lã arrancada para que se façam casacos de pele aos lobos. O Senhor dos exércitos está do lado oposto da tirania do governo que joga altos impostos nas costas dos cidadãos (Pr 29.4). Deus é contra aquele patrão que impõe metas inativeis ao trabalhador, para que ele produza mais, sem, no entanto, ganhar por isso. Todas as doenças – como síndrome do pânico, depressões, pressão alta etc, fruto deste trabalho escravo – estão devidamente registradas no livro de Deus. Nada é despercebido aos olhos do Senhor (Tg 5.4). 

Infelizmente não há muito que fazer. A maldade sobrepuja a retidão (Ec 3.16). O poder está do lado dos opressores (Ec 4.1). Mas Deus sempre traz alívio e esperança àquele que não é servo do dinheiro. É interessante notar que, pessoas que dispõe de poucos recursos, consiga ser patrão do dinheiro; enquanto que, pessoas que possuem grandes fortunas são escravas de sua riqueza, pois vivem em torno dela.

Quanto mais nos deixarmos afetar pelas distrações da vida, mais o nosso coração se inquietará por elas, tendo pouco ou muito. Quando subimos na garupa deste tipo de gente inescrupulosa, maquiavélica, que não mede esforços para alcançar seus anseios egoístas e malignos, mais parecidos com elas nos tornamos. 

Perceba que mesmo que estejamos abastados de recursos e desfrutando de boa saúde, no entanto, ainda sim o nosso coração insiste em permanecer debaixo da servidão das ansiedades. Andamos inquietos porque colocamos a segurança do nosso futuro nestas coisas. Se este for o nosso estado, é com razão que tememos (ainda que tenhamos tudo), pois a qualquer momento nosso “império” poderá criar asas e voar para um lugar longínquo. Com efeito, só teremos verdadeira paz e segurança quando o nosso coração repousar em Deus – quer na bonança, quer na escassez. 

Muitos ricos tem tudo, no entanto não conseguem desfrutar de nada. O medo de perder sufoca o deleite de desfrutar. O sono do justo que põe a confiança em Deus é ameno e tranquilo. Ele consegue comer, beber e desfrutar do produto do seu trabalho, pois não se apoia em suas habilidades, mas em Deus, que nos provê tudo com abundância para que nos alegremos (1 Tm 6.17).

O mundo jaz no maligno!, é verdade; porém, aquele que está em Cristo, não pertence ao mundo. O mundo passa com a sua cobiça e ganância, mas o que faz a vontade de Deus permanece para sempre (1 Jo 2.17). 

Deixe-os perseguir o vento. Ainda que muitos julguem inútil o caminho da retidão, Deus fará brilhar a vista de todos a diferença entre o justo e o mau; entre o que serve a Deus e o que serve ao dinheiro.

As lágrimas e o clamor dos que não podem oferecer resistência chegou ao Senhor dos Exércitos. Portanto, sejam pacientes na tribulação e alegrem-se na esperança, pois o nosso socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.


Em Cristo Jesus, considere este artigo e arrazoe isto em seu coração.


Soli Deo Gloria!

Fabio Campos


NÃO É A BERMUDA E NEM A MAQUIAGEM QUEM FAZ O MUNDO ENTRAR NA IGREJA


NÃO É A BERMUDA E NEM A MAQUIAGEM QUEM FAZ O MUNDO ENTRAR NA IGREJA

Por Fabio Campos

Texto base: “Mas entre vós não será assim...” – Marcos 10.43


Dias atrás, fui surpreendido pela postura (neófita) de um líder cristão já avançado em idade. Ele olhou minha barba, minha bermuda, e perguntou se era deste modo que eu congregava (o detalhe é que não estávamos dentro de uma igreja).

Contornei a situação e levei na brincadeira, pois de outro modo, caso entrasse na provocação, reduziria o cristianismo (em rudimentos: Cl 2. 20-23) como aquele irmão havia feito. Ou seja, o conceito de mundo para ele se restringe ao tipo de roupa que se veste ou o estilo de música que se ouve.

Pois bem.

Muito se fala que o mundo entrou na igreja. Ao pedir uma explicação a respeito desta afirmativa, sempre me deparo com argumentos simplistas e desprovidos de respaldo bíblico. Para este pessoal, o mundo entra na igreja quando o louvor é tocado através da guitarra (como se Deus tivesse preferência musical); ou pela moça que usa maquiagem; ou pelo rapaz que deixa a barba crescer.

Por estas e outras explicações se faz notório que o amparo deles para fundamentar seus pré-conceitos é exclusivamente “moral”baseado tão somente em “usos e costumes”.

O evangelho de Marcos narra uma situação onde Cristo mostra o que, com efeito, é ser diferente do mundo (10. 35-45).

Os irmãos Tiago e João, se aproximaram de Jesus e lhe pediu que, em seu reino, ambos se assentam com Ele; um à sua esquerda, e o outro, à sua direita. Porém, a glória do evangelho para a igreja não está em assentar-se com Cristo em seu reino futuro, mas sofrer por Ele nesta terra. Antes de julgar o mundo, Cristo nos chama para participarmos dos seus sofrimentos (1 Pe 4.13).

Jesus, porém, disse que eles não sabiam o que estavam pedindo. Ao afirmarem que poderiam “beber do cálice” que Jesus beberia, e ser “batizado no batismo” que Jesus seria batizado, o Senhor diz que se fosse da vontade do Pai, eles se assentariam no trono.

Quando os outros discípulos ouviram o parecer de Jesus a respeito disto, houve um grande tumulto. Picuinha na igreja da galileia! Todos ou outros ficaram bravos com Tiago e João.

Eles já estavam brigando entre si para saber e provar quem de fato era o maior. Todos os discípulos estavam bem vestidos; cantavam os salmos; observavam o dia do Senhor; liam as Escrituras; mas o mundo estava entrando na igreja dos galileus: Jesus os chamou e disse: "Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elasNão será assim entre vocêsPelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. (Mc 10: 42-44).

O poder é sedutor (independentemente do seguimento, inclusive na igreja), pois viabiliza o caminho para dominar o próximo.

O mesmo desejo que havia entre os governantes e gentios – em chegar ao poder para controlar as pessoas – estava também no seio da igreja. Jesus, então, corrige a rota e diz que mundanismo é buscar o topo da hierarquia, conforme era o costume dos pagãos, para que, ao invés de servir, angariar o privilégio de ser servido.

Neste instante o Senhor colocou o mundo de cabeça para baixo;quem quiser ser importante, que sirva aos outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja o escravo de todos.

Jesus mostrou na prática esta lição. “Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido” (Mc 10.45). No reino de Deus só há um Rei; todo o resto é súdito. O extraordinário disto tudo é que este Rei se fez Servo justamente para servir seus servos; mesmo assim, Ele nunca deixou de ser Senhor (Lc 12.37).

Você vai perceber, portanto, que não é a comida, bebida ou roupa que faz de alguém um mundano (evidente que há jeito certo de usar estas coisas, porém não da forma imposta pelos legalistas). O que nos torna parecidos com o mundo, como disse Jesus, é a busca pelo poder; é a moça que deseja casar com o irmão não por causa do seu caráter e piedade, mas pela sua posição de destaque na igreja. O mundo entra na igreja quando o irmão que, ao invés de olhar para a virtude da moça, prefere analisar a adereça do vestido que destaca as suas curvas.

Quando aquele senhor cristão olhou com desdém para a minha vestimenta, mal sabia ele que eu conhecia um pouco dos bastidores da igreja que ele pertencia. Uma denominação embriagada pelo poder, ao ponto de estar em litígio entre os próprios irmãos – por meio da justiça comum – para levar ao topo da pirâmide os “reclamados”.

E é a barba ou a bermuda que fazem de alguém mundano. Lamento dizer, mas isto é demoníaco.

Caso eu não conhecesse a Bíblia, certamente me faria escravo deste tipo ensino (1 Co 7.23). Mas a verdade, que vem pelo estudo das Escrituras, me libertou. Deus é INFINITAMENTE maior do que a mente humana.

A respeito disto, reflita comigo e pense se Deus é pequeno como essa gente demonstra com este tipo de atitude.

Os cientistas dizem que há no universo um número de estrelas maior do que o número de todos os grãos de areia de todas as praias e de todos os desertos do planeta. Assustador, não!? No dia que você for à praia, experimente levar um bocado de areia em suas mãos; depois jogue esses grãos em cima de uma mesa de vidro e tente contar quantos grãos de areia você conseguiu apanhar.

Por um instante pare de ler e olhe para céu (pois todos estes planetas são simplesmente enfeites da casa de Deus Sl 19.1).

Voltando.

Há mais estrelas no universo que grão de areia em todas as praias do planeta (pense no tamanho de cada planeta). Quantos grãos de areia será que você consegue apanhar? O detalhe mais fantástico é que Deus conhece cada estrela pelo nome (Sl 147.4).

Com toda essa grandeza (que é assustadora), estou convencido de que Deus está preocupado com a minha bermuda e com a maquiagem da irmã, entre tantas coisas, como, por exemplo, se é certo ou não tocar hinos na guitarra invés de usar o piano.

Risos...

Não é o tipo de música e nem o estilo da vestimenta quem faz o mundo entrar na igreja. O mundo entra no seio da igreja quando líderes e membros disputam entre si para ser o maior. Isto tudo se dá quando caiamos no galanteio do Diabo, que nos faz acreditar que somos estrelas no Corpo de Cristo.

Afinal, o que é mundo e quando é que ele entra na igreja?

A Bíblia chama de mundo o “desejo da carne”, o “desejo dos olhos”e o “orgulho dos bens” (1 Jo 2. 16).

Se você usa terno ou é aderente do coque, mas estas coisas existem em você, o rapaz cheio de tatuagem e de bermuda, porém convertido a Cristo, é muito mais cristão do que você. Num contexto parecido, acusado de mundano pelos religiosos fundamentalistas de sua época, C. S. Lewis dizia que “ele era um pagão convertido no meio de puritanos apóstatas”. Compartilho um pouco deste sentimento.

Fiquemos com as Escrituras Somente:

“... o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração”. – 1 Samuel 16:7



Em Cristo Jesus, considere esta reflexão e arrazoe isto em seu coração.



Soli Deo Gloria!

Fabio Campos