quinta-feira, 7 de julho de 2011

SOMBRAS DO PASSADO


Não tenho medo da morte, mas, sim, da vida. As sombras do passado me assombram todos os dias e não sei mais o que fazer. Nunca tive um pai. O meu pai biológico nunca me assumiu e o meu pai de criação me espancava constantemente e me abandonou. Não sei por que eu nasci e para que eu existo. Sempre quis praticar o bem e ajudar as pessoas, mas nunca tive reconhecimento por isso. Neste texto, eu contarei sobre os traumas que carrego durante anos, e se eu não conseguir vencê-los, esses traumas me levarão a destruição.

Desde criança, eu gosto de artes marciais e de armas, porque desde pequeno eu sonho em ser um herói. Quando eu era criança, adorava ver os heróis dos filmes e dos desenhos animados que assistia. Como nunca tive uma referência paterna, os heróis da televisão preencheram esse vazio. Nunca gostei da covardia e sempre odiei a maldade. Nunca gostei de pessoas opressoras e falsas, mas, infelizmente, a Igreja Evangélica é dominada por esses parasitas. Não sei o que é pior, se são os opressores que gostam de oprimir, ou os oprimidos que se regozijam com a opressão. Eu já sofri muito preconceito por gostar de lutas esportivas e de armas, mas quando comecei a estudar mais a Bíblia e a História, descobri que Deus nunca condenou o meu sonho de ser herói. Eu sou apaixonado por Yavé, o Deus dos hebreus. Adonai, o Deus de Israel, sempre foi o meu modelo. Admiro muito Jesus Cristo também, porque Ele é o maior homem que existe (não digo existiu, porque Ele vive). O Messias comia e bebia com os pecadores, ou seja, Ele andava com as pessoas excluídas pela sociedade. Jesus preferia conviver com prostitutas e ladrões de que com os religiosos hipócritas de sua época. Eu sempre quis mostrar para os cristãos o Jesus da Bíblia, mas eles preferem acreditar num Cristo utópico, isto é, os cristãos preferem a mentira de que a verdade. A minha parte eu fiz, tentei alertá-los.

Outra coisa que me atormenta é o fato de eu não ter conseguido ajudar pessoas que foram muito importantes na minha vida. Muitas pessoas me decepcionaram (inclusive parentes), mas eu também pisei na bola com algumas pessoas. Eu tentei fazer a diferença, mas não consegui.

Cristina era uma morena linda que foi minha amiga quando eu era criança. Eu era apaixonado pela Cristina. Uma vez, a Cristina foi brutalmente espancada na minha frente pela Gil (a sua madrasta) e eu era tão fraco e impotente que não pude defendê-la. Nunca esqueci essa cena e acho que jamais esquecerei.

Dayany e Kelly são duas irmãs que tentei ajudar, mas não pude fazer nada por elas. Eu me apaixonei pela Dayany e quis muito fazê-la feliz. As duas foram cristãs no passado, mas acabaram se desviando do Verdadeiro Caminho por culpa do pai, um homem cujo coração era endurecido e não enxergava mais. Eu soube que a Dayany e a Kelly voltaram para a sua terra natal, o Mato Grosso do Sul, e provavelmente eu nunca mais voltarei a vê-las.

Michele, Bruna e Tatiane, são três irmãs que se tornaram minhas grandes amigas. Eu lamento por não poder mais vê-las, pois moro longe delas atualmente. Essas garotas sofreram muito na vida. A mãe delas, Josefa, foi assassinada por dois bandidos, e elas também sofreram muito com os maus tratos da madrasta e o desprezo do pai. Infelizmente, também não pude fazer nada por elas. Nunca esquecerei a Michele, a Bruna e a Tatiane, porque elas estão entre as poucas mulheres que me valorizaram.

Rogério foi um policial militar que conheci num cursinho pré-vestibular e nos tornamos grandes amigos. Eu nunca me perdoei por ter brigado com ele (ficamos sem nos falar) e quando eu pensei em me reconciliar com o Rogério, ele já estava morto. Rogério morreu num acidente de trânsito e eu chorei muito quando soube de sua morte.

Infelizmente, eu sou um fraco e incapaz. Nunca tive habilidade em artes marciais e nem aprendi a manusear armas de fogo. Eu não sou valente (apesar de não temer a morte), mas, sim, um covarde. Eu sofro de sérios problemas psicológicos e psiquiátricos, como, por exemplo, a Síndrome de Borderline e o Transtorno Obsessivo Compulsivo. Eu me tratei durante anos, mas acabei desistindo do tratamento. Fico extremamente preocupado com os inocentes que são massacrados todos os dias, e sempre oro em favor das autoridades legalmente constituídas para que elas protejam os indefesos que precisam da proteção do Estado. Nos últimos dias, voltei a pensar em suicídio, mas ainda tenho esperança de Deus me ajudar. Gostaria muito que Deus me libertasse de meu passado para que eu pudesse ser uma pessoa melhor no futuro.

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