sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

TOMADO PELO TERROR



“Os cordéis da morte me cercaram, e angústias do Inferno se apoderaram de mim; encontrei aperto e tristeza”. (Salmo 116:3)

Durante os vinte e oito anos de minha existência, passei por momentos muito difíceis, mas nenhuma das cenas de minha história se comparam ao que eu estou passando hoje. A dor que sinto é tão aguda que nem consigo descrevê-la. O meu coração dói tanto como se alguém o tivesse golpeado diversas vezes, ou como se uma besta o tivesse abocanhado e o estraçalhado. A dor que sinto é indescritível, porque nunca senti algo tão implacável e cruel como isso.

“Tristezas de morte me cercaram, e torrentes de impiedade me assombraram. Tristezas do Inferno me cingiram, laços de morte me surpreenderam”. (Salmo 18:4-5)

Peço para Deus me matar todos os dias, mas Ele não atende as minhas orações. Não sei mais o que fazer. Se Deus me desse o direito de tirar a minha própria vida, eu me suicidaria com certeza. Não vejo mais graça na vida. Estou cansado de viver. Não consigo enfrentar os obstáculos da vida, porque estou sozinho e sem ninguém para me acompanhar nessa jornada. Não me acho bonito, tampouco inteligente. Não tenho amor próprio; e duvido que alguém algum dia possa me amar.

“Assim, o meu coração se azedou, e sinto picadas nos meus rins”. (Salmo 73:21)

O meu coração foi tomado pelo terror, e apodrece de tal forma que já cheira até mal. Sinto picadas nos meus rins; e a tristeza seca os meus ossos. Eu sei que as coisas não irão melhorar, porque nunca melhoraram durante os vinte e oito anos de minha existência. Não negarei que aconteceram coisas boas na minha vida, mas comparadas às coisas ruins que aconteceram, elas são tão insignificantes. Estou magoado com Deus. Isso não significa que eu não goste d’Ele, mas apenas significa que eu estou chateado. Estou muito triste com Deus, porque Ele não me mata quando eu peço para morrer. Não sei quais são os planos de Deus na minha vida, mas eu ainda acho que foi um erro eu ter nascido. É um erro eu existir.

Tive muitas oportunidades na minha vida para fazer coisas erradas, e me mantive íntegro. Muitas vezes, eu penso que fui trouxa por ter sido tão certinho. Sempre me mantive puro e afastado das coisas erradas do mundo, mas nunca valorizaram isso. Eu sou uma aberração para a sociedade. Eu sou um erro da natureza.

Não sou valorizado pela minha família, e os meus amigos não me dão a atenção que eu preciso. Sou uma pessoa muito carente, portanto, preciso de atenção. As pessoas não ligam na minha casa para saber se eu estou vivo ou bem. As pessoas não me mandam e-mails e nem mensagens nas redes sociais. Eu abandonei o Orkut e o Facebook, porque não vejo mais razão para continuar mexendo nessas coisas. Para mim, nem a Internet tem mais graça. Eu continuo escrevendo, porque me dá muito prazer escrever (mesmo sabendo que poucas pessoas irão ler o que escrevo). Com certeza, quando eu morrer, eu serei valorizado.

Eu amaldiçôo o dia do meu nascimento, porque preferia não ter nascido. Na verdade, eu queria ter sido abortado. Somente nasci para ver sofrimento e tristeza. A minha vida é um tormento, porque eu não vejo mais beleza nem na natureza que o Criador criou. Gostaria muito que Deus me desse à morte de presente. Para mim, a vida é uma maldição. Não vejo beleza na vida, mas vejo beleza na morte.

Perdoem-me se estou sendo muito dramático e pesado nas coisas que escrevo, mas saibam, que estou apenas escrevendo o que estou sentindo no meu pobre e tosco coração. Eu sou um morto-vivo, porque por dentro, eu já estou morto. 

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