sexta-feira, 5 de abril de 2013

O CRISTIANISMO PRIMITIVO E O ESTADO



“Mas, quando o seu coração se exalçou e o seu espírito se endureceu em soberba, foi derribado do seu trono real, e passou dele a sua glória. E foi tirado dentre os filhos dos homens, e o seu coração foi feito semelhante ao dos animais, e a sua morada foi com os jumentos monteses; fizeram-no comer erva como os bois, e pelo orvalho do céu foi molhado o seu corpo, até que conheceu que Deus, o Altíssimo, tem domínio sobre os reinos dos homens e a quem quer constitui sobre eles”. (Daniel 5:20-21)

Há muita distorção por parte de muitos “cristãos” mal-intencionados que costumam propagar mentiras através da Internet. Esses religiosos hipócritas e mentirosos distorcem o contexto de versículos bíblicos (alguns demonizam a própria Bíblia), e deturpam a História para poderem demonizar o Estado. Esses fanáticos usam e abusam do fato da maioria dos cristãos primitivos terem se recusado a se alistar no Exército e ocupar cargos públicos para poderem demonizar o serviço militar e a política, alegando que as autoridades constituídas são do Demônio. Quem é esperto e usa, pelo menos, um pouquinho da inteligência que Deus lhe deu, verá nesse trecho bíblico do Livro de Daniel, que o profeta Daniel reconheceu que os governantes da Terra são estabelecidos por Deus, isto é, Deus estabelece os reis e depõe os reis como bem entende, porque Ele é Soberano. Com certeza, alguns religiosos alegarão que isso foi no Antigo Testamento, então, eu mostrarei o que o Novo Testamento diz a esse respeito.

“Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade, resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor quando se faz o bem, e, sim, quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo também pagais tributos: porque são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra”. (Romanos 13:1-7)

O apóstolo Paulo, um grande servo de Deus, afirmou o mesmo que o profeta Daniel, ou seja, que as autoridades governamentais são estabelecidas por Deus. Paulo, claramente, reconheceu que é a vontade divina que exista o governo para poder manter a lei e a ordem no mundo. O apóstolo Paulo afirmou que os agentes do Estado são ministros de Deus que têm a autorização do Altíssimo para utilizarem a espada (símbolo da morte) para poderem castigar os malfeitores e exaltar os cidadãos de bem. O apóstolo Pedro em sua Primeira Epístola no capítulo 2 do versículo 13 ao 17 também reconheceu que a função do governo é enaltecer os bons e punir os maus. Tanto Paulo quanto Pedro reconheciam a legitimidade do Estado.

O culto imperial e os sacrifícios aos deuses dificultavam os primeiros cristãos se envolverem com o serviço militar e a política. Nós, cristãos, devemos obedecer ao que a Bíblia ensina, isto é, o que Jesus Cristo e os apóstolos ensinaram, e não o que certos Pais da Igreja “alucinados” ensinavam. Justino Mártir, Tertuliano de Cartago, Hipólito de Roma, Orígenes de Alexandria, Cipriano de Cartago, Lactâncio, e outros hereges que somente pregavam asneiras, não eram donos da verdade absoluta. Jesus Cristo, os apóstolos, e os Pais Apostólicos, Policarpo de Esmirna e Clemente de Roma, não demonizavam o serviço militar e a política, pelo contrário, eles reconheciam a sua legitimidade. Jesus e Paulo ordenaram aos cristãos pagarem os seus impostos sabendo que o dinheiro era usado para a manutenção do Exército. Pedro e Paulo afirmaram que o dever do Estado é usar a força para punir os criminosos. Policarpo de Esmirna e Clemente de Roma reconheciam que as autoridades governamentais são necessárias na ordem estabelecida por Deus. Existiam poucos cristãos militares e políticos, mas com o passar do tempo, os cristãos ingressaram em massa nas áreas administrativa e militar do Império Romano. Hoje, nada impede os cristãos de se relacionarem com o Estado, portanto, os cristãos podem se alistarem nas Forças Armadas e se envolverem com a política sem peso na consciência.

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