terça-feira, 9 de julho de 2013

A HERANÇA DA REFORMA PROTESTANTE


Em meu texto anterior, eu escrevi sobre a história da Reforma Protestante, mas como eu não estava com muita vontade de escrever e nem teria tempo para corrigir um artigo maior, acabei deixando de relatar algumas coisas importantes. Pretendo, neste texto, contar sobre a herança que a Reforma Protestante deixou para nós, evangélicos. Infelizmente, quase todos os crentes somente conhecem falsos profetas e mercadores da fé, pois eles quase nada sabem sobre os heróis da fé do passado.

No dia 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano, Martinho Lutero, afixou as suas 95 Teses na porta da catedral de Wittenberg, criticando diversos preceitos errados do Catolicismo. Assim, se iniciou a Reforma Protestante oficialmente (desde a Idade Média, existiam homens que pretendiam reformar a Igreja Cristã). Lutero era um homem que valorizava muito a educação, pois ele incentivava os cristãos estudarem tudo o que pudessem (principalmente, a Bíblia). Esse grande reformador deixou o legado do livre acesso as Escrituras e o seu incondicional apoio aos estudos, porque ele acreditava que todos os homens têm direito a educação. Martinho Lutero abriu o caminho para que as pessoas tivessem acesso as Escrituras nas suas línguas, para que elas próprias tivessem um relacionamento com Deus.

Ulrico Zuínglio deu início às igrejas reformadas, pois ele, assim, como Lutero e Calvino, também acreditava na Predestinação, ou seja, que a Salvação é somente pela Graça, e não importa o que o homem faça ou deixe de fazer, isso não lhe concede a Salvação, porque apenas uma ação direta do Espírito Santo pode salvar o ser humano.

João Calvino foi o reformador que mais pregou sobre a Predestinação, isto é, sobre a soberania de Deus na Salvação dos cristãos, tanto, que as pessoas que acreditam na Predestinação passaram a ser conhecidas como calvinistas. Não irei debater aqui se o que está certo é o livre-arbítrio ou a Predestinação, porque eu mesmo considero que as duas teorias têm as suas bases bíblicas, mas afirmo que considero o Calvinismo mais bíblico e coerente do que o Arminianismo. Não consigo acreditar que a Salvação é pelas obras, como a maioria dos arminianos acredita. O fato de eu cair em pecado não invalida a minha Salvação, até porque acreditar que por causa de um deslize meu eu perco a minha Salvação é literalmente desprezar o sacrifício de Jesus. Os evangélicos precisam entender que Jesus morreu pelos pecadores e não pelos santos. Portanto, foi, por isso, que Cristo sofreu e morreu na cruz, para que nós, pecadores, fossemos salvos. Nisso concordo plenamente com os reformadores (especialmente, com João Calvino).

Os anabatistas também deixaram uma herança muito importante da Reforma, que é o batismo de adultos. Não irei debater aqui se o batismo tem que ser por imersão ou por aspersão, mas considero importante que as pessoas sejam batizadas tendo consciência do que estão fazendo. Eu também acredito que esse é o verdadeiro batismo (com todo o respeito aos cristãos reformados que batizam crianças, pois respeito a sua posição).

John Knox foi um reformador escocês que liderou o movimento presbiteriano revolucionando a Escócia. A origem da Igreja Presbiteriana é calvinista (mesmo com os cristãos presbiterianos arminianos e pentecostais desprezando isso). Portanto, a herança deixada por John Knox é praticamente a mesma deixada pelos demais reformadores, Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio, e João Calvino, ou seja, a herança é a teologia reformada, a Predestinação. Quero deixar bem claro, que eu respeito os meus irmãos em Cristo que acreditam no livre-arbítrio, até porque muitos homens de Deus que acreditavam nisso foram muito importantes para a história da Igreja Cristã também. Mas, tenho que ser criterioso em relação à herança que a Reforma nos deixou. Reconheço que outros movimentos não calvinistas também são importantes.

Tem também a igreja fundada pelo rei Henrique VIII, a Igreja Anglicana, mas para ser bem sincero, não vejo grande herança vinda dessa igreja. Pelo que entendi da história, os motivos do rei Henrique VIII foram muito mais políticos do que religiosos para poder fundar a Igreja Anglicana, portanto, a origem dessa igreja não foi teológica, mas, sim, política. Esse rei se casou com várias mulheres e mandou matar os seus desafetos por motivos mesquinhos. A fundação da Igreja Anglicana foi pelos motivos meramente pessoais e políticos do rei Henrique VIII. Por isso, não vejo grande herança vinda dessa igreja (talvez, hoje, a Igreja Anglicana seja uma igreja séria e compromissada com Deus, mas na época da Reforma, essa igreja foi apenas um estratagema político do rei da Inglaterra).

A herança mais linda para mim que a Reforma Protestante nos deixou foi à herança puritana, isto é, o Puritanismo. Muitas pessoas que não sabem nada sobre os puritanos têm uma visão distorcida sobre eles e ainda utilizam o nome puritano como termo pejorativo. Os puritanos cometeram erros sim, assim, como os anabatistas, os luteranos, os huguenotes, os presbiterianos, e outros cometeram os seus erros também. As pessoas são falhas, porque são pecadoras. Até os homens mais santos e mais próximos de Deus também pecam. Por isso, Jesus se sacrificou na cruz por nós.

Os puritanos surgiram no reinado da rainha Elizabete I, na Inglaterra. No reinado anterior, Maria Tudor, conhecida como Maria, a Sanguinária, perseguiu muitos cristãos condenando vários deles a morrerem queimados na fogueira. Quando os puritanos surgiram, eles queriam criar uma Igreja Protestante pura, e não problemática e corrupta como a Igreja Católica e a Igreja Anglicana da época. Os puritanos queriam revolucionar a Igreja Cristã e a nação. Na Revolução Puritana, conhecida também como Revolução Inglesa, os puritanos liderados por Oliver Cromwell, destituíram o rei Carlos I do poder e o executaram. Os puritanos revolucionaram a sua nação. Devido as intensas perseguições que os puritanos sofreram durante a História, muitos deles fugiram para a América do Norte, e colonizaram os Estados Unidos.

Alguns puritanos, como, por exemplo, John Owen, William Perkins, William Ames, deram importante contribuição para a ortodoxia reformada. Homens como Richard Rogers, John Dod, Richard Sibbes, Richard Baxter, Joseph Alleine, e John Flavel, foram homens importantes para o Puritanismo também.

Existiram grandes pregadores puritanos, como Charles Spurgeon (conhecido como o Príncipe dos Pregadores e o Último dos Puritanos), Charles Finney, Dwight Lyman Moody, e Jonathan Edwards, que ganharam inúmeras almas para Cristo. Tem um escritor que admiro muito (porque vi o filme sobre a história do seu livro) que é John Bunyan, que é o autor do livro “O Peregrino”. Esse livro conta sobre a vida cristã como peregrinação e Guerra Espiritual.

Os puritanos pregavam a santidade (muitos falsos calvinistas pregam que porque os cristãos são predestinados, eles não precisam buscar a santidade, porque já são salvos). Os puritanos buscavam a santidade, porque eles queriam agradar o coração de Deus. Os verdadeiros predestinados não sentem paz no pecado, porque o Espírito Santo os incomoda para que eles busquem a santidade. Portanto, os verdadeiros calvinistas têm a certeza da Salvação, mas eles buscam a Deus por o amarem de verdade, e não por medo do Inferno. O incentivo do cristão para buscar a Deus tem que ser o amor, e não o medo. Os cristãos têm que buscarem a Deus por o amarem, e não por temerem o Fogo Eterno.

Escrevi sobre os temas que considero mais importantes e interessantes (pelo menos, para mim). Infelizmente, a maioria dos evangélicos não se interessa pela sua própria história, e perde tempo pesquisando e lendo coisas sem importância ou até mesmo demoníacas. Fico muito triste em saber que as pessoas (principalmente, os cristãos) não se interessam em estudar sobre a Reforma, e nem sobre a Bíblia. Encerro aqui.

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