quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O CRISTIANISMO E AS GUERRAS


“Um bom soldado não luta, porque odeia o que está enfrentando, mas, sim, porque ama o que está defendendo”.

Em diversos textos meus, acabei sendo intolerante com os pacifistas, e, antes, de expor a minha opinião sobre as guerras, quero pedir desculpas se ofendi alguém, pois Deus tem trabalhado no meu coração, e estou aprendendo a respeitar as diferenças (principalmente, as diferenças ideológicas). Antes, de eu começar a usar os meus argumentos em favor das guerras justas (nem todas as guerras são justas, pois existem guerras que são muito injustas), quero avisar que não pretendo atacar ninguém e nem ofender as pessoas que pensam diferente de mim. Mas, agora, irei expor a minha opinião sem ferir a integridade moral de ninguém. Pretendo, neste texto, mostrar o porquê que algumas batalhas devem ser travadas, pois muitas vezes, a única maneira de se opor ao mal, é usando a força e a coragem para combatê-lo.

Primeiramente, quero falar sobre o mandamento “Não matarás”, que é uma tradução errada da Bíblia em português, porque a sua tradução correta é “Não assassinarás”. Há diferença entre um assassinato criminoso e um homicídio lícito. O verbo hebraico “ratsach” usado no sexto mandamento no Antigo Testamento se refere ao homicídio ilícito. O verbo grego “foneuo” usado para esse mesmo mandamento no Novo Testamento também é usado para se referir ao assassinato criminoso. Portanto, a Bíblia, a Palavra de Deus, condena apenas o assassinato, e não a legítima defesa e a pena capital. Sobre a pena de morte, o apóstolo Paulo deixa transparecer em suas Cartas que ele era favorável a pena capital. Na Carta aos Romanos, no capítulo 13 do versículo 1 ao 7, Paulo conta sobre o Estado (que segundo ele é instituído por Deus); e no versículo 4, a palavra grega usada para espada é “machaira”, que é um símbolo da pena de morte. Portanto, o apóstolo Paulo era um defensor da lei e da ordem. Para Paulo, a função do governo é punir os maus e exaltar os bons, porque essa é a vontade de Deus.

Paulo evangelizou o procônsul Sérgio Paulo e o carcereiro de Filipos, que mesmo depois de se converterem, permaneceram em suas profissões testemunhando de Cristo para as pessoas. A História relata que Sérgio Paulo governou Chipre durante três anos; e a Bíblia relata que o carcereiro de Filipos permaneceu na carceragem depois de sua conversão (portando a sua espada). Portanto, o apóstolo não tinha nada contra os cristãos exercerem cargos públicos, pois os cristãos podiam ganhar almas para Cristo através de suas profissões seculares.

O apóstolo Pedro também era a favor da existência do Estado para manter a segurança e a estabilidade do mundo. Na Primeira Epístola de Pedro, no capítulo 2 do versículo 13 ao 17, o apóstolo conta que a função das autoridades é castigar os malfeitores e enaltecer os cidadãos de bem. Quando Pedro evangelizou o centurião Cornélio, em nenhum momento ele recriminou o centurião pelo fato dele ser militar, e ordenou que Cornélio fosse batizado ainda sendo um oficial romano.

Basear-se no fato de quase todos os cristãos primitivos não terem se alistado no Exército e nem terem ocupado cargos públicos (existiam alguns cristãos, que eram militares e políticos, mas eram poucos) para demonizar o serviço militar e a política, é inaceitável. O culto imperial e os sacrifícios aos deuses dificultavam os primeiros cristãos de se alistarem no Exército e de ocuparem cargos públicos, porque os agentes do Estado que não cultuassem o imperador e nem sacrificassem aos deuses eram condenados a morte (alguns cristãos, nos dois primeiros séculos, foram martirizados por causa disso, como os cônsules, Acilius Glabrio e Flávio Clemente). No século II, os cristãos começaram a se alistar em massa no Exército, mas foram nos séculos III e IV, que inúmeros cristãos, que eram militares e políticos, foram martirizados, porque se recusaram a negar a Jesus, como o seu único e suficiente Salvador. Sebastião (capitão da Guarda Pretoriana), Jorge (tribuno militar), e Expedito (comandante de uma legião), foram torturados e executados por se recusarem a negar a sua fé em Cristo.

Os Pais da Igreja, Policarpo de Esmirna, Clemente de Roma, Ambrósio de Milão, Agostinho de Hipona, e Jerônimo de Strídon, reconheciam a legitimidade das autoridades governamentais. Os reformadores, Martinho Lutero, João Calvino, e Ulrico Zuínglio, também eram favoráveis a guerra justa. Nós, cristãos, devemos travar batalhas para proteger os inocentes e indefesos. Devemos evitar contendas, mas muitas vezes, é necessário lutar. A omissão é hedionda.

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