quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A HISTÓRIA DA IGREJA PRIMITIVA


Deus veio ao mundo em forma de homem na figura de Jesus Cristo para salvar o seu povo. O Filho de Deus se sacrificou numa cruz para que o seu sangue inocente derramado purificasse os homens dos seus pecados. Os judeus sempre aguardaram um Messias guerreiro e Grande Libertador, mas Jesus Cristo veio sem escudo e espada ensinar o amor e o perdão. Cristo nunca pregou a omissão e o conformismo (como muitos falsos cristãos alegam que Ele pregou), pelo contrário, Jesus sempre ensinou a praticar o bem e nunca se omitir diante do mal. O Messias foi dilacerado pelos inúmeros açoites que recebeu, e depois foi pregado vivo numa cruz por amor as pessoas que zombaram d’Ele e o desprezaram. Cristo carregou sobre si as nossas dores e iniqüidades. Ele levou sobre si todas as nossas maldições e enfermidades. Jesus morreu por amor, mas no terceiro dia, Ele ressuscitou, vencendo a morte e o pecado. Cristo venceu o Diabo e o Inferno, através de seu precioso sangue derramado lá na cruz. O Véu do Templo se rasgou, e, agora, todos podem ter acesso a Deus (sem intermediários “cheios da unção”). Nós, cristãos, não precisamos de “ungidos de Deus”, porque Jesus Cristo é o Único Mediador entre Deus e os homens.

Os primeiros discípulos de Jesus eram judeus, conhecidos como “nazarenos”. Mais tarde, eles passaram a ser conhecidos como cristãos. No início, o Cristianismo era visto pelo Império Romano como uma ramificação do Judaísmo, por isso, no começo, o governo não viu os cristãos como uma ameaça ao Império. As primeiras perseguições foram elaboradas pelo Sinédrio, ou seja, pelos fariseus, religiosos hipócritas legalistas que não viviam o que pregavam. Mas, apesar disso, o governo romano defendia os cristãos que tinham cidadania romana, como, por exemplo, o apóstolo Paulo. Houve uma ocasião em que Paulo foi jurado de morte por judeus fundamentalistas, mas militares romanos fizeram a sua segurança e o protegeram.

Paulo, que era conhecido como Saulo de Tarso, foi um grande perseguidor da Igreja Cristã, mas a caminho de Damasco, ele se deparou com Jesus, ficando cego por alguns dias. Saulo foi curado, e se tornou num grande apóstolo. Paulo evangelizou autoridades que se converteram, como, por exemplo, o procônsul Sérgio Paulo, e o carcereiro de Filipos. Há provas históricas que comprovam que Sérgio Paulo se converteu e permaneceu no seu cargo público, pois há registros que mostram que ele governou Chipre durante três anos. O próprio livro de Atos mostra que o carcereiro de Filipos permaneceu em sua profissão (portando a sua espada). Estou relatando isso, porque muitos religiosos fanáticos mal-intencionados distorcem o contexto histórico em que a Igreja Primitiva estava inserida para poderem demonizar o Estado. Em primeiro lugar, Jesus Cristo e os apóstolos nunca pregaram contra o serviço militar e a política. Em segundo lugar, o culto imperial e os sacrifícios aos deuses eram rituais idolátricos que dificultavam os primeiros cristãos se alistarem no Exército e ocuparem cargos públicos, porque as autoridades que não cultuassem o imperador e não sacrificassem aos deuses eram punidas com a morte por alta traição. Em terceiro lugar, se o serviço militar e a política fossem coisas tão diabólicas como os fanáticos e fundamentalistas pregam, a Bíblia, a Palavra de Deus, deixaria bem claro para os cristãos não se envolverem com essas coisas. Portanto, não há nenhuma parte na Bíblia e nem relatos confiáveis que mostram que Jesus Cristo e os apóstolos pregaram contra o Estado.

Paulo era conhecido como o “Apóstolo dos Gentios”, porque ele realmente se importava com a Salvação de outros povos além de Israel, isto é, o seu próprio povo. O apóstolo escreveu várias Cartas para aconselhar e orientar os seus irmãos em Cristo. Se não fosse por Paulo, talvez, nós não conhecêssemos o Evangelho hoje. 

Paulo evangelizou até a Guarda Pretoriana que o vigiava em uma ocasião. O apóstolo aproveitou que os guardas pretorianos o vigiavam para lhes falar da Salvação de Cristo. Em sua Carta aos Filipenses, Paulo até menciona sobre os santos do palácio de César, que provavelmente eram esses guardas e outros funcionários do governo que se converteram através dele.

O apóstolo Paulo foi um tremendo instrumento usado por Deus para abençoar as vidas das pessoas que o conheciam, mas Paulo acabou sendo preso pela última vez, e foi condenado a morte, sendo decapitado.

Pedro foi um dos discípulos de Jesus mais próximos do Salvador. Ele era sincero na sua fé, apesar de ter um gênio forte e de ser extremamente preconceituoso. Mas, Deus trabalhou isso em seu coração. Através do centurião Cornélio (um militar romano justo e temente a Deus), Pedro percebeu que Deus não queria apenas salvar os judeus, mas, sim, todos os povos. Cornélio era honesto e íntegro, mas apesar disso, ele não era salvo. Pedro o evangelizou, e Cornélio se converteu, e foi batizado ainda sendo um oficial romano. Em nenhum momento, Pedro implicou com Cornélio pelo fato dele ser militar, mas, sim, pelo fato dele ser gentio. Cornélio era bem visto aos olhos de Deus, e a Bíblia deixa bem claro que esse centurião era justo e correto em sua profissão. Pedro acreditava que apenas os judeus poderiam ser salvos, mas Deus, através de uma visão, mostrou para Pedro que o Altíssimo não faz acepção de pessoas, e que todos os homens de todos os povos podem ser salvos se aceitarem Jesus Cristo em seus corações como o seu único e suficiente Salvador. Uma vez em que Pedro foi preso, um anjo o libertou da prisão, e Herodes Antipas (o homem que mandou prendê-lo) foi ferido por um anjo, que fez com que os vermes o devorassem vivo. Pedro, no final de sua vida, foi preso pela última vez, e acabou morrendo crucificado.

No ano 50, houve o Concílio de Jerusalém, que foi quando os apóstolos se reuniram para discutir sobre os preceitos judaicos inseridos no Cristianismo. Os cristãos judaizantes acreditavam que todos os seguidores de Jesus eram obrigados a seguirem os preceitos judaicos, mas Paulo discordava disso. No Concílio de Jerusalém, os judeus cristãos decidiram que todos os seguidores de Jesus não devem comer alimentos sacrificados aos ídolos, nem praticar relações sexuais ilícitas, e nem beber sangue. Na 1 Carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo ensinou que os cristãos podem comer alimentos sacrificados aos ídolos sim, portanto, que não escandalizem os irmãos “fracos” na fé. Se os cristãos orarem para Deus abençoar os alimentos sacrificados aos ídolos, não há problema nenhum em comê-los. O sexo deve ser praticado somente dentro do casamento mesmo. O sangue foi proibido de ser ingerido, porque no contexto daquela época, os pagãos bebiam sangue para adorar os seus deuses. Entretanto, hoje, não há problema algum em comer frango ao molho pardo, chouriço ou até mesmo beber sangue de galinha para sobreviver na selva.

Nas primeiras décadas do século I, os cristãos não eram molestados pelos romanos, mas quando Nero ascendeu ao poder, à primeira perseguição institucionalizada pelo Estado começou. Em 64, houve um grande incêndio em Roma, e Nero acusou os cristãos de tê-lo provocado. Assim, começou uma grande e terrível perseguição ao Cristianismo. Cristãos foram lançados as feras, crucificados, queimados vivos, espancados, açoitados, encarcerados, torturados, e assassinados de diversas maneiras. Os cristãos sofriam torturas indescritíveis e eram brutalmente assassinados. Mulheres cristãs foram violentadas e crianças ficaram órfãs. Os cristãos que tinham cidadania romana eram degolados.

Apesar da dura e terrível perseguição, os cristãos permaneceram fiéis a Cristo, porque eles amavam a Deus acima de todas as coisas. Os cristãos estavam dispostos a perder tudo (inclusive, a própria vida). Os cristãos não se aterrorizaram diante da morte.

Nero, o imperador de Roma, foi muito cruel com os cristãos. Esse psicopata costumava mandar crucificar cristãos vivos e depois botar fogo neles para que iluminassem Roma durante a noite. Esse sádico também costumava jogar escravos vivos dentro de um poço cheio de moréias famintas. Esse assassino insano também matou a própria mãe. Nero acabou perdendo o seu trono, pois a própria Guarda Pretoriana se rebelou contra o imperador; e Nero foi cercado e se suicidou.

A Revolta Judaica (66-70) foi uma grande batalha, quando muitos judeus se reuniram e se rebelaram contra o domínio romano. Os soldados romanos eram peritos na arte da guerra, e os judeus apesar de terem lutado bravamente, acabaram perdendo a guerra. O Templo de Jerusalém foi destruído, e incontáveis judeus foram mortos na batalha. Muitos dos sobreviventes se tornaram escravos. Assim, começou a Diáspora Judaica. Os judeus cristãos não participaram da rebelião, e fugiram.

Quando o imperador Domiciano chegou ao poder, no começo ele não perseguia os cristãos, mas com o passar do tempo, tanto os judeus quanto os cristãos foram impiedosamente perseguidos. Acilius Glabrio, que foi cônsul, em 91, foi mais tarde martirizado. Flávio Clemente, que foi cônsul, em 95, também sofreu o martírio. Esses são dois exemplos de homens investidos de autoridade que eram cristãos.

Em 96, o imperador Domiciano foi assassinado, deixando, assim, os cristãos em paz. O único dos apóstolos que ainda permanecia vivo era João. Todos os demais haviam sido martirizados durante o primeiro século. João morreu no ano 100.

Os Pais Apostólicos, Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna, e Clemente de Roma, foram os Pais da Igreja que conviveram com os apóstolos no primeiro século. Esses três homens não pregaram heresias como muitos Pais da Igreja que vieram depois deles fizeram. Inácio de Antioquia foi devorado pelas feras, e Policarpo de Esmirna, foi queimado vivo, mas como não morreu com as chamas, foi morto ao fio da espada. Não se sabe ao certo como foi o fim de Clemente de Roma, mas acredita-se que ele foi preso e obrigado a fazer trabalhos forçados, e depois teve uma pedra amarrada ao seu pescoço e foi atirado ao mar, morrendo afogado.

No século II, surgiram muitas seitas derivadas do Cristianismo, que ameaçavam a Cristandade, como, por exemplo, o Marcionismo, o Montanismo, e uma seita já antiga, mas que se fortaleceu no segundo século, o Gnosticismo. Surgiram os apologistas para combaterem as heresias que ameaçavam a Igreja de Cristo. Alguns apologistas eram sérios, outros pregavam tantas heresias quanto os hereges que eles escreviam apologias contra. Mas, apesar de sua demonização compulsiva em relação às autoridades constituídas, e o seu anti-semitismo odioso, esses Pais da Igreja foram importantes de certa forma para a História do Cristianismo. Nos séculos II e III, eles atuaram.

No ano 170, os cristãos começaram a se alistar em massa no Exército, por causa das invasões bárbaras (na época do imperador Marco Aurélio). Antes do ano 170, existiam cristãos nas legiões romanas sim, mas eram poucos; devido às cerimônias cívicas e religiosas comprometidas com a idolatria greco-romana; além da prestação de culto ao imperador e dos sacrifícios aos deuses, que dificultavam os primeiros cristãos se envolverem com o serviço militar e a política. Policarpo de Esmirna reconheceu que as autoridades governamentais são estabelecidas por Deus. Clemente de Roma ensinou os cristãos a intercederem em favor dos governantes, porque ele reconhecia que as instituições políticas são necessárias na ordem estabelecida por Deus. O fato de terem existido alguns Pais da Igreja que demonizavam o Estado, não justifica endiabrar o governo hoje. Naquela época, o Estado era inimigo do Cristianismo (apesar de ser instituído por Deus), e o Exército perseguia e massacrava os cristãos; além da idolatria greco-romana enraizada no Império. Os cultos ao imperador e aos deuses pagãos eram grandes empecilhos para os cristãos serem militares e políticos.

No século III, os cristãos ocupavam os mais altos cargos políticos e as mais altas patentes do Exército. Muitos cristãos eram senadores, cônsules, procônsules, comandantes, magistrados, e governadores. Muitos cristãos, desde o primeiro século, eram nobres, ou seja, eram pessoas de posses. Houve perseguições durante os quatro primeiros séculos da História da Igreja Cristã, mesmo tendo cristãos ocupando cargos importantes no governo.

A pior das perseguições foi no começo do século IV, que é a perseguição devastadora que se espalhou por toda a imensidão do Império Romano. Incontáveis cristãos foram martirizados. Muitos tiveram as suas terras e bens confiscados. Nunca houve tantas mortes de cristãos romanos como nessa época. Oficiais romanos, como Sebastião (capitão da Guarda Pretoriana), Jorge (tribuno militar), e Expedito (comandante de uma legião), foram torturados e brutalmente assassinados. Sebastião foi executado com flechas, mas sobreviveu ao atentado, porque foi salvo por uma cristã chamada Irene. Mais tarde, ele foi espancado ferozmente até morrer. Jorge e Expedito foram torturados com requintes de crueldade, e depois degolados. Muitos outros oficiais e governantes romanos, que eram cristãos, foram torturados e mortos, porque preferiram encarar o martírio por amor a Cristo, do que salvar as suas próprias vidas.

O imperador Diocleciano perseguiu implacavelmente os seguidores de Jesus, e inúmeros cristãos tiveram os seus bens confiscados, perderam os seus empregos, foram expulsos de suas terras, além de serem torturados, violentados, e assassinados impiedosamente. Todos os cristãos eram soldados de Cristo, armados ou não.

No século IV, quando Constantino, o Grande, chegou ao poder, ele derrotou os seus inimigos, ordenando aos seus soldados antes da batalha que pintassem cruzes em seus escudos. Constantino, apesar de ser pagão, era simpatizante do Cristianismo, até porque muitos de seus soldados eram cristãos. Esse imperador (que somente se converteu quando estava morrendo), com o Édito de Milão, em 313, deu liberdade religiosa aos cristãos, que puderam buscar o seu Deus em paz sem se preocuparem com perseguições vindas do Estado. Constantino foi um grande amigo do Evangelho, apesar de não ter sido um cristão confesso. Esse imperador, sabendo que o Cristianismo se tornava numeroso, resolveu se aliar aos cristãos, e os seguidores de Jesus passaram a ter privilégios em seu governo. Constantino não era cristão (como a maioria pensa), mas ele cooperou muito para que o Cristianismo se estabelecesse no Império Romano. Creio que Deus usou Constantino para abençoar a Igreja Cristã, assim, como Ele usou Ciro, o Grande, para libertar os judeus do cativeiro babilônico.

Em 325, no Concílio de Nicéia, cerca de 318 bispos que vieram de várias regiões se juntaram para reunirem os livros da Bíblia. No Concílio de Nicéia, os livros do Novo Testamento foram reunidos. Esses bispos, orientados por Deus, identificaram os livros inspirados pelo Espírito Santo, os livros canônicos, e desprezaram os livros apócrifos, os que não eram verdadeiros, até alguns deles eram histórias verídicas, mas não inspiradas pelo Espírito Santo. A Bíblia da Igreja Primitiva era o Antigo Testamento (os livros do Antigo Testamento haviam sido reunidos pelos judeus há muito tempo). Parte do Antigo Testamento era em aramaico e outra parte em hebraico. A Septuaginta (a versão grega do Antigo Testamento) circulava entre os cristãos primitivos também. O Novo Testamento era em grego. Jerônimo de Strídon traduziu a Bíblia inteira para o latim, facilitando o acesso do povo de sua época a Palavra de Deus.

Apesar das terríveis perseguições que os cristãos sofriam, eles se tornavam cada vez mais numerosos. Os pagãos se impressionavam com a coragem dos cristãos diante do terror da morte, e muitos se convertiam através dos testemunhos dessas pessoas valorosas. Os cristãos primitivos amavam a Deus acima de tudo, e estavam dispostos a sacrificarem a própria vida por um Deus invisível, que eles sabiam que é real.

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