segunda-feira, 24 de março de 2014

O CRISTÃO E O ESTADO


“Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade, resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor quando se faz o bem, e, sim, quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo também pagais tributos: porque são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra”. (Romanos 13:1-7)

            O apóstolo Paulo foi o maior teólogo que já existiu. Ele era conhecido como o “Apóstolo dos Gentios”, porque, ao contrário, dos outros apóstolos, ele se preocupava com a Salvação das pessoas que não pertenciam ao povo judeu, ou seja, Paulo acreditava que todos os homens de todas as etnias e nacionalidades podem ser salvos, se aceitarem Jesus Cristo em seus corações como o seu único e suficiente Salvador. Paulo destacou muito em suas Cartas a submissão as autoridades, e, assim, como Jesus, ele também ensinou que os cristãos devem pagar todos os seus impostos, sabendo que o dinheiro era usado para a manutenção do Exército. Esse apóstolo afirmou, claramente, que os agentes do Estado (magistrados, militares, policiais, e políticos) são ministros de Deus e os seus vingadores para castigarem os malfeitores. Além disso, Paulo, afirmou com convicção, que as autoridades não são apenas permitidas por Deus, mas, sim, estabelecidas por Ele. Portanto, não há nada de Demônio nas autoridades constituídas, porque Deus as instituiu para o bem-estar da população; e para manter a lei e a ordem na sociedade. Para Paulo, o governo é necessário para punir os criminosos (usando a violência mesmo) e exaltar os cidadãos de bem.

“Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor; quer seja ao rei, como soberano; quer às autoridades como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores, como para louvor dos que praticam o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. Tratai a todos com honra, amai aos irmãos, temei a Deus, honrai ao rei”. (1 Pedro 2:13-17)

Segundo o apóstolo Pedro, os cristãos também têm o dever moral e cívico de se sujeitarem as autoridades governamentais, e também reconheceu que a função dos agentes do Estado é punir os malfeitores e louvar os homens que praticam o bem. Para Pedro, os enviados do rei (magistrados e soldados) têm a obrigação e o dever (autorizados por Deus) de castigar os bandidos usando a força se for necessário. Portanto, tanto Paulo quanto Pedro legitimavam a repressão contra o crime.

“Também soldados lhe perguntaram: E nós, que faremos? E ele lhes disse: A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa, e contentai-vos com o vosso soldo”. (Lucas 3:14)

João Batista, o precursor do Messias, e também o maior de todos os profetas, também legitimava e apoiava a profissão do militar, pois ele mesmo batizou alguns soldados, e se recusou a batizar os fariseus (os religiosos hipócritas da época).

“Morava em Cesaréia um homem de nome Cornélio, centurião da coorte, chamada a italiana, piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, e que fazia muitas esmolas ao povo e de contínuo orava a Deus”. (Atos 10:1-2)

O centurião Cornélio era muito admirado e respeitado pelos judeus, pois ele era um homem justo e temente a Deus. Esse militar era honesto e piedoso. A Bíblia relata que Cornélio era um bom exemplo de ser humano e de cidadão romano. Esse guerreiro não deixou de ser bom e piedoso porque combatia, mas, sim, ele alcançou até elogios do próprio Deus e dos judeus. Em nenhum momento, Pedro o recriminou por ser militar, pelo contrário, o apóstolo o evangelizou, e ainda ordenou que Cornélio fosse batizado, ainda sendo um oficial romano. Tudo indica que Cornélio permaneceu em sua centúria, mesmo após a sua conversão.

“Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em Cafarnaum. E o servo de um centurião, a quem este muito estimava, estava doente, quase à morte. Tendo ouvido falar a respeito de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse curar o seu servo. Estes, chegando-se a Jesus, com instância lhe suplicaram, dizendo: Ele é digno de que lhe faças isto; porque é amigo do nosso povo, e ele mesmo nos edificou a sinagoga. Então Jesus foi com eles. E já perto da casa, o centurião enviou-lhe amigos para lhe dizer: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa. Por isso, eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo; porém manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Porque também sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz. Ouvidas estas palavras, admirou-se Jesus dele e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse: Afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta. E, voltando para casa os que foram enviados, encontraram curado o servo”. (Lucas 7:1-10)

            O centurião de Cafarnaum era amigo do povo judeu, o povo de Deus; pois ele até edificou uma sinagoga para eles. Esse militar tinha tanta fé, mas tanta fé, que Jesus se admirou, porque nem os judeus tinham uma fé como aquela. A Palavra de Deus relata que o centurião de Cafarnaum era honesto e íntegro, pois ele era admirado por todos, e tinha muitos amigos que o amavam e o ajudavam. Tanto o centurião Cornélio como o centurião de Cafarnaum são relatados na Bíblia como exemplos de homens de bom caráter, portanto, eles são bons exemplos a serem seguidos pelos cristãos. Tanto Jesus quanto Pedro não recriminaram esses centuriões pelo fato de eles serem militares.

“Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra”. (2 Timóteo 2:4)

            Há muitas semelhanças entre a vida cristã e o serviço militar, por isso, o apóstolo Paulo vivia comparando ambos. Os cristãos devem ser como soldados, isto é, devem acatar as ordens de seu Senhor e cumprir a sua missão.

            “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”. (1 Timóteo 2:1-4)

Paulo também ensinou que os cristãos têm o dever e a obrigação de intercederem em favor das autoridades governamentais, porque também é da vontade de Deus que os governantes conheçam a Cristo. Com esses relatos bíblicos que usei, espero ter sido claro e objetivo. Quem não aceita a legitimidade do governo legalmente constituído é no mínimo muito ingênuo ou moralmente delinqüente mesmo.

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