sábado, 5 de abril de 2014

O CRISTÃO E O GOVERNO


INTRODUÇÃO:


A Igreja Primitiva nunca teve um posicionamento pacifista oficialmente, mediante o tema da guerra, ou da agressão, mas no século IV isso começou a ser discutido. Uma mudança significativa na política Imperial Romana eleva o Cristianismo à religião oficial do Império, fazendo com que o Cristianismo passasse a fazer parte do Império e o Império viesse a ser cristão. Diante dessa nova postura imperial, deveria nascer uma, também nova, postura por parte dos cristãos. O Cristianismo passa admitir o uso da força e das armas para a defesa do Império, que é agora também a defesa da própria Igreja e da religião cristã, frente às invasões bárbaras e os movimentos heréticos. Uma nova linha de pensamentos irá se formar para a defesa dessa nova apropriação de um Cristianismo que assumia o belicismo, não mais apenas espiritual, mas que tomava armas para um combate corporal. Uma nova interpretação dos escritos e das tradições eclesiásticas deve ser tomada e para essa nova teoria que se forma no seio do Cristianismo, teremos um dos mais influentes pensadores para o Cristianismo Medieval: Agostinho de Hipona lançará as bases para a teoria de uma guerra justa, que se resume em uma união da ética cristã com o belicismo do medievo, que estará presente em toda a Idade Média.

No século I, o Cristianismo era visto como uma ramificação do Judaísmo (religião lícita para o Império Romano). Os judeus não eram obrigados a prestar culto ao imperador, nem sacrificar aos deuses pagãos, e eram isentos do serviço militar. Por causa disso, os cristãos primitivos nas primeiras décadas do primeiro século não tiveram problemas com o governo romano. No princípio, quem perseguia os primeiros cristãos era o Sinédrio, ou seja, os fariseus (os religiosos fanáticos e fundamentalistas da época). O apóstolo Paulo foi um grande perseguidor da Igreja, a mando do Sinédrio. No ano 64, com o incêndio terrível que devastou Roma, Nero, acusou os cristãos de tê-lo provocado, por isso, começou a primeira perseguição estatal contra os cristãos.

Há três pontos que devo destacar sobre o fato de quase todos os primeiros cristãos não terem se alistado no Exército e nem terem ocupado cargos públicos até o final do século II (existiram cristãos no Exército e ocupando cargos públicos antes do ano 170 sim, mas eram poucos). Em primeiro lugar, o culto imperial, os sacrifícios aos deuses, as práticas idolátricas nas cerimônias cívicas e religiosas, os juramentos pelos deuses, e a perseguição estatal contra o Cristianismo, dificultavam que os cristãos se envolvessem com o Estado. Em segundo lugar, as guerras que o Império Romano promovia não eram para a defesa da nação, mas, sim, para oprimir e escravizar outros povos através da força militar. Em terceiro lugar, Jesus Cristo, João Batista, os apóstolos, e os Pais Apostólicos, nunca demonizaram o serviço militar e a política, pelo contrário, esses homens santos reconheciam a legitimidade e a necessidade de se existir um Estado para poder manter a lei e a ordem na sociedade. Jesus e Paulo ordenaram aos cristãos pagarem todos os seus impostos, sabendo que o dinheiro era usado para a manutenção do Exército. Pedro e Paulo ensinaram à submissão as autoridades governamentais e reconheceram que é a função do governo castigar os malfeitores e louvar os cidadãos de bem.
Neste artigo, mostrarei os argumentos bíblicos a favor do serviço militar e da política, e também as opiniões dos apóstolos, dos Pais da Igreja, e dos reformadores sobre esses assuntos tão polêmicos. Mostrarei que o Pacifismo não é bíblico, pois a Bíblia, a Palavra de Deus, nunca apoiou tal ideologia, mas, sim, sempre defendeu o direito das pessoas inocentes se defenderem de agressores injustos, e de que é o dever do Estado punir os maus e louvar os bons.


A OPINIÃO DO APÓSTOLO PAULO:


Paulo é o autor da Carta aos Romanos, e no capítulo 13 desta Carta, ele conta a sua opinião sobre as autoridades governamentais.
                          
Todo homem esteja sujeito as autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas”. (Romanos 13:1)

O verbo grego usado para sujeição é “upotasso” que significa estar subordinado ou sujeito. A Palavra de Deus é clara quando afirma que toda autoridade procede de Deus. Há diferença entre instituir e permitir, ou seja, Deus não apenas permite que os reis governem o mundo, mas Ele estabelece os reis da Terra. Todos os cristãos devem se submeter ao Estado e interceder a favor dele.

“De modo que aquele que se opõe à autoridade, resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação”. (Romanos 13:2)

A condenação significa punição do Estado, isto é, qualquer cidadão que se rebelar contra o governo será castigado, porque é ordenação de Deus que os homens se submetam ao Estado.

“Porque os magistrados não são para temor quando se faz o bem, e, sim, quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela”; (Romanos 13:3)

As autoridades existem para castigar os malfeitores e enaltecer os que praticam o bem. Os cidadãos que são trabalhadores e honestos não precisam temer as autoridades, porque a função delas é punir os bandidos e não os cidadãos de bem.

“visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal”. (Romanos 13:4) 

O apóstolo Paulo foi claro quando disse que o Estado é ministro de Deus para o nosso bem, ou seja, a função do Estado é castigar os malfeitores e proteger os cidadãos de bem. A palavra grega usada para espada é “machaira” que é um símbolo da pena capital, isto é, o Estado tem a autorização de Deus para executar criminosos perigosos, autores de crimes hediondos e bárbaros.

“É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência”. (Romanos 13:5)   
    
Os cidadãos de bem devem obedecer às autoridades e não cometer crimes, não por causa do medo de serem presos ou mortos, mas, sim, porque é o certo a se fazer.

“Por esse motivo também pagais tributos: porque são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço”. (Romanos 13:6)  

O verbo grego usado por Paulo (Jesus usou o mesmo verbo) para pagar os tributos é “apodote” (de apodidomi - que significa: dar o que é devido, devolver, pagar de volta). Os cristãos devem pagar os tributos e os impostos para a manutenção do Estado, porque a obrigação dos governantes, que são ministros de Deus, é dar segurança aos cidadãos de bem. 

“Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra”. (Romanos 13:7)

Neste versículo, o apóstolo Paulo também usou o verbo grego “apodote”, e esse servo de Deus foi inspirado pelo Espírito Santo para ensinar aos cristãos os seus deveres cívicos. Infelizmente, o governo brasileiro está longe do ideal de governo idealizado por Deus, mas a obrigação da Igreja é orar a favor das autoridades governamentais, porque essa é a vontade de Deus. O Estado é necessário para manter a lei e a ordem no mundo; e os cristãos que não aceitam isso, não acreditam na Bíblia. Deus estabelece os governantes do mundo e o dever da Igreja é interceder a favor deles e ajudá-los no que for necessário.   
        
Paulo, em sua Primeira Epístola a Timóteo, também conta sobre qual é a principal obrigação dos cristãos com o governo.       

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”. (1 Timóteo 2:1-4)

O apóstolo Paulo também ensinou que todos os cristãos têm o dever de intercederem em favor das autoridades governamentais, ou seja, os cristãos devem orar pelos homens investidos de autoridade. Tanto Pedro quanto Paulo, não endiabravam as autoridades constituídas, pelo contrário, eles reconheciam a sua legitimidade. Essa “historinha” de que os cristãos primitivos demonizavam o Estado é mentira do Diabo, porque Jesus Cristo, os apóstolos, e os Pais Apostólicos, não demonizavam as autoridades governamentais. Hoje, não existem mais práticas idolátricas no Estado, portanto, nada impede os cristãos de se relacionarem com o governo.


A OPINIÃO DO APÓSTOLO PEDRO:


Pedro, em sua Primeira Epístola, conta a sua opinião sobre as autoridades constituídas, assim, como Paulo fez. Tanto Paulo quanto Pedro foram inspirados pelo Espírito Santo para escreverem as suas Cartas, portanto, foi o próprio Deus quem falou através deles. Os apóstolos eram homens dignos e cheios do poder de Deus, portanto, devemos dar crédito para o que eles falaram.

“Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor; quer seja ao rei, como soberano; quer às autoridades como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores, como para louvor dos que praticam o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. Tratai a todos com honra, amai aos irmãos, temei a Deus, honrai ao rei”. (1 Pedro 2:13-17)

 O apóstolo Pedro afirmou que os cristãos devem se sujeitar as autoridades constituídas e que a função das autoridades enviadas pelo rei é castigar os malfeitores e louvar os que praticam o bem. Os soldados e magistrados eram essas autoridades enviadas pelo rei para punir os culpados. No primeiro século, quase todos os cristãos primitivos não se alistavam no Exército e nem ocupavam cargos públicos, principalmente, por causa da idolatria que predominava naquela época (como o culto imperial e os sacrifícios aos deuses). Hoje, a situação é muito diferente do que naquela época, pois não temos mais problemas com a idolatria.


A OPINIÃO DE JOÃO BATISTA:


“Também soldados lhe perguntaram: E nós, que faremos? E ele lhes disse: A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa, e contentai-vos com o vosso soldo”. (Lucas 3:14)

João Batista, o precursor do Messias, que também foi o maior de todos os profetas, e considerado o homem mais justo que já existiu sobre a Terra, nunca condenou o serviço militar, pelo contrário, ele batizou alguns soldados e se recusou a batizar os fariseus. Esse grandioso profeta, quando batizou os soldados, não os recriminou por serem militares, mas, sim, lhes incentivou a permanecerem como soldados, portanto, que eles exercessem a sua função com honestidade.


AS OPINIÕES DOS PAIS DA IGREJA QUE CONDENAVAM O ESTADO:


                 Muitos Pais da Igreja pregaram muitas heresias, e, no entanto, são hoje idolatrados por vários teólogos. Não negarei que muitas das suas obras são importantes para a História do Cristianismo, mas esses Pais da Igreja também pregavam coisas erradas, como a anarquia, o Pacifismo, e o anti-semitismo. Contarei as opiniões de alguns Pais da Igreja que condenavam o serviço militar e pregavam algumas heresias.


A OPINIÃO DE JUSTINO MÁRTIR:



Justino Mártir era anti-semita, pois ele disse que os judeus são filhos de meretrizes. Justino também criticou o militarismo, apesar de ter ensinado que os cristãos devem pagar os seus impostos e orar em favor das autoridades instituídas pelo próprio Deus. Justino pregou coisas boas, mas também pregou ensinamentos errados.


A OPINIÃO DE TERTULIANO DE CARTAGO:
                                                                              

Tertuliano de Cartago era um advogado que no começo de sua caminhada cristã defendia os cristãos com unhas e dentes. Tertuliano até escreveu um excelente livro chamado “APOLOGETICUM” em que ele defende os cristãos alegando que os seguidores de Jesus eram bons cidadãos que pagavam os seus impostos e que até combatiam no Exército. Infelizmente, Tertuliano aderiu uma seita chamada “Montanismo” e passou a pregar heresias e a endiabrar o serviço militar compulsivamente. Tertuliano até escreveu um livro chamado “A COROA DOS MILITARES” em que o Exército é demonizado. O Tertuliano era tão bom, mas tão bom, que rompeu com o Montanismo e fundou a sua própria seita, o “Tertulianismo”. Tertuliano era também anti-semita, pois ele escreveu uma apologia contra os judeus.


A OPINIÃO DE HIPÓLITO DE ROMA:


Hipólito de Roma falava mal de todo mundo e até criou uma lista de profissões proibidas em que ele demoniza os magistrados e soldados (o interessante é que na Bíblia está escrito que os magistrados e soldados são ministros de Deus para o nosso bem). Realmente, essa lista de profissões proibidas é herética.


A OPINIÃO DE ORÍGENES DE ALEXANDRIA:


Orígenes de Alexandria acreditava na reencarnação e no universalismo e também foi outro que criticou o militarismo. Orígenes também acreditava que as estrelas têm almas e cria em muitos outros absurdos. Entre os Pais da Igreja, Orígenes foi o que mais pregou heresias e falou besteiras.


A OPINIÃO DE CIPRIANO DE CARTAGO:


Cipriano de Cartago era extremamente racista, pois ele pregava contra a raça judaica e até afirmou que o Diabo é o pai dos judeus. Cipriano também demonizou o serviço militar e era outro que adorava caluniar os outros. Assim, como os outros Pais da Igreja que demonizavam o militarismo e a etnia judaica, ele também não tinha embasamento bíblico, mas apenas, se baseava em seu preconceito religioso ridículo. Cipriano também pregava que a Salvação depende da Igreja, e não somente do sacrifício de Jesus, ou seja, para Cipriano, o que salva é um templo, e não Jesus.


A OPINIÃO DE LACTÂNCIO:


Lactâncio era apologista do imperador Constantino, mas apesar disso, ele foi outro que endiabrou o serviço militar, mesmo com o culto imperial e os sacrifícios aos deuses terem sido abolidos pelo imperador que supostamente havia se convertido. Muitos cristãos primitivos não se alistavam no Exército por causa dos rituais idolátricos e não porque tinham algo contra o militarismo. Realmente, Lactâncio não tinha o que fazer da vida e resolveu pregar besteiras.    


AS OPINIÕES DOS PAIS DA IGREJA QUE DEFENDIAM O ESTADO:


                 Os Doutores da Igreja defendiam a legitimidade das autoridades constituídas. Os Pais Apostólicos também acreditavam que é necessário que haja um governo para estabelecer a paz na Terra. Pretendo mostrar as opiniões de alguns desses Pais da Igreja, que aprendi a admirar e a respeitar.


A OPINIÃO DE POLICARPO DE ESMIRNA:


                 Policarpo de Esmirna foi discípulo do apóstolo João, e reconheceu que o Estado é instituído por Deus, antes de ser martirizado. Esse Pai Apostólico reconhecia que as autoridades governamentais são estabelecidas por Deus, e Policarpo conheceu outros apóstolos pessoalmente, e também era um grande servo de Deus, portanto, ele sabia o que estava fazendo quando afirmou que o governo é instituído por Deus.


A OPINIÃO DE CLEMENTE DE ROMA:


                 Clemente de Roma era discípulo do apóstolo Pedro, e também reconhecia a legitimidade das autoridades constituídas, pois ele, em sua Carta aos Coríntios, reconheceu que as autoridades governamentais são necessárias na ordem estabelecida por Deus, e ainda ensinou aos cristãos que é dever da Igreja de Cristo interceder em favor dos governantes.


A OPINIÃO DE AGOSTINHO DE HIPONA:


                 Agostinho de Hipona desenvolveu a teoria da guerra justa, e ele é considerado o maior de todos os Pais da Igreja. Agostinho era a favor da pena de morte e dava o maior apoio para os cristãos se alistarem no Exército e matarem nas guerras se for necessário. Agostinho foi o primeiro a discutir sobre esse tema tão polêmico seriamente, sem pregar heresias. Mas, ele apenas apoiava e defendia as guerras justas, ou seja, quando os soldados lutam por uma causa justa ou por um ideal nobre.


A OPINIÃO DE AMBRÓSIO DE MILÃO:


                 Ambrósio de Milão foi o mestre de Agostinho de Hipona, pois foi ele mesmo quem o batizou. Esse Doutor da Igreja e grande teólogo, assim, como o seu discípulo, Agostinho, também defendia a guerra justa. Ambrósio era extremamente coerente no que ensinava aos cristãos, e como o grande intelectual e cristão que foi, também reconheceu a legitimidade das autoridades constituídas.


A OPINIÃO DE JERÔNIMO DE STRÍDON:


                 Jerônimo de Strídon foi o homem que traduziu a Bíblia para o latim. Esse grande teólogo era conhecedor de grego, hebraico, e latim. Jerônimo conhecia a Bíblia inteira, pois ele mesmo a traduziu para outra língua. Esse Pai da Igreja era a favor da pena de morte, assim, como Agostinho, e seu mestre, Ambrósio. Jerônimo também reconhecia que o Estado é necessário para que haja paz e ordem no mundo.


A OPINIÃO DE TOMÁS DE AQUINO:


Tomás de Aquino foi um dos maiores teólogos que já existiu e falava positivamente sobre a legítima defesa e considerava necessária a execução de criminosos perigosos para o bem-estar da sociedade. Assim, como Agostinho, ele também defendia a guerra justa quando fosse necessário promover a justiça no mundo.


AS OPINIÕES DOS REFORMADORES DA IGREJA:


                 Os reformadores da Igreja foram grandes teólogos que conheciam as Escrituras profundamente, pois eles eram doutores em Teologia. Os reformadores foram homens valorosos que defendiam a guerra justa, e até a pena capital, aplicada por uma autoridade legalmente constituída.


A OPINIÃO DE MARTINHO LUTERO:


Martinho Lutero era um monge agostiniano e acreditava que a pena capital era indispensável em casos de crimes bárbaros; inclusive, ele incentivou os príncipes alemães a exterminarem os camponeses que se rebelaram contra as autoridades constituídas, e os anabatistas, que se diziam pacifistas, participaram dessa rebelião.


A OPINIÃO DE JOÃO CALVINO:


João Calvino foi um grande teólogo francês e era favorável a pena de morte até nos casos de heresias; ele condenou o médico, Miguel Serveto, que blasfemou contra a Trindade, a morrer na fogueira. Entretanto, João Calvino, se arrependeu de ter mandado matar, Miguel Serveto, mas ele nunca mudou a sua opinião em relação a executar malfeitores. Calvino também defendia a legítima guerra contra o mal.


A OPINIÃO DE ULRICO ZUÍNGLIO:


Ulrico Zuínglio era capelão do Exército e morreu em combate lutando contra os cantões católicos. Ele foi um dos principais responsáveis pela Reforma da Igreja na Suíça, e como João Calvino, Ulrico Zuínglio era também a favor da pena capital em caso de heresia. Zuínglio também apoiava a guerra justa, assim, como os outros reformadores apoiavam.


CONCLUSÃO:


                 Segundo as opiniões dos apóstolos, dos Pais Apostólicos, dos Doutores da Igreja, e dos reformadores, podemos concluir de que não há nenhum problema em ser soldado ou político, portanto, que sejamos honestos e justos exercendo essas funções. A Bíblia, a Palavra de Deus, tanto no Antigo Testamento, como no Novo Testamento, sempre apoiou e defendeu a necessidade de se haver reis e soldados no mundo. Claro, que quando o governo exige algo contrário a Palavra de Deus, então, devemos ser mais fiéis a Deus do que ao Estado. Primeiro, devemos obedecer a Deus, depois o Estado. Portanto, se formos proibidos de pregar o Evangelho ou se formos obrigados a adorar outros deuses além do nosso Deus, temos o dever de desobedecer às autoridades governamentais. A Bíblia nos ensina a sujeição às autoridades sim, mas também nos ensina que devemos obedecer mais a Deus do que aos homens.

                 Hoje, ainda existem cristãos que condenam e demonizam as autoridades governamentais, e apelam para a falsidade intelectual e para a sua hipocrisia religiosa para poderem impor a sua opinião herética aos outros. A própria Internet, que é de origem militar, é usada por Testemunhas de Jeová e por muitos evangélicos para deturparem a História do Cristianismo Primitivo e para distorcerem o contexto de versículos bíblicos para endiabrarem o serviço militar e a política. Para se compreender a Palavra de Deus, é preciso ler os capítulos inteiros dentro de seu contexto, e não ler versículos fora de contexto para pregar o que bem entender. Para se entender as opiniões dos cristãos primitivos (que não tinham acesso as informações de hoje e nem a Bíblia inteira, que surgiu só, em 325, no Concílio de Nicéia), é preciso compreender o contexto histórico em que a Igreja Primitiva estava inserida. Portanto, hoje, nada impede os seguidores de Jesus de se alistarem no Exército, ou ingressarem na polícia, ou ocuparem cargos públicos. Espero ter sido claro e objetivo no que escrevi.

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