quinta-feira, 29 de junho de 2017

A NATUREZA DO PECADO

A NATUREZA DO PECADO!
Para Agostinho, toda a humanidade é afetada pelo pecado em consequência da Queda, e todo ser humano teve sua mente obscurecida e enfraquecida pelo pecado, impossibilitando o pecador pensar com clareza e, especialmente compreender verdades e idéias espirituais mais elevadas.
Para Agostinho, o simples fato de ser pecadores significa que os homens estão seriamente enfermos, a ponto de não poder diagnosticar corretamente sua enfermidade e muito menos, curá-la. É somente por intermédio da Graça de Deus que essa enfermidade [o pecado] é diagnosticada, e a cura [a Graça] torna-se possível.
O ponto essencial de Agostinho está na idéia de que não temos controle sobre a nossa natureza pecaminosa, ou seja, é algo que contamina nossa vida no momento do nascimento, e a domina posteriormente. Uma situação que não podemos controlar.
Pode-se dizer que Agostinho compreendeu o fato de que a humanidade nasceu com uma "disposição" para o pecado, com uma "inclinação natural" para o pecado, a qual faz parte de sua natureza. Em resumo: "o pecado é a causa do pecado; a condição pecadora do ser humano é a causa dos pecados de cada um de nós.
Agostinho desenvolveu esta ideia através de três importantes analogias: O pecado original como "doença", como "força" e como "culpa". 
--A 1ª analogia trata o pecado como uma "doença hereditária" propagada de geração em geração, e como a humanidade está enfraquecida, Cristo, é desta forma o médico divino, aquele por quem nossas feridas são curadas, sendo a salvação entendida em termos médicos e curativos. A Graça de Deus nos cura, de forma que nossas mentes possam conhecê-lo e nossos desejos possam corresponder à sua oferta da Graça.
-- A 2ª analogia trata o pecado como uma "força" que nos mantém cativos e de cujo domínio somos totalmente incapazes de nos libertar. O livre arbítrio é rendido pela força do pecado e somente pode se libertar por meio da Graça. Neste caso Cristo é visto como o libertador, a fonte da graça que destrói a força do pecado.
-- A 3ª analogia trata o pecado como um conceito essencialmente jurídico - a culpa - transmitida de uma geração a outra. Para uma sociedade que valorizava excessivamente a "lei", como era o caso da sociedade do antigo Império Romano, em cujo contexto viveu Agostinho, essa era considerada uma maneira particularmente proveitosa de entender o pecado. Nessa analogia, Cristo veio para trazer a "absolvição e o perdão"
Livro TEOLOGIA SISTEMÁTICA, HISTÓRICA E FILOSÓFICA DE Alister E. McGrath - SHEDD PUBLICAÇÕES. edição nov. de 2010.


Nenhum comentário: