domingo, 29 de abril de 2018

A HISTÓRIA DA REFORMA PROTESTANTE



Filipe Levi 29/04/18
A HISTÓRIA DA REFORMA PROTESTANTE


A parte da História do Cristianismo que eu mais gosto é a Reforma Protestante, porque admiro muito os cristãos guerreiros que pelejaram tanto com armas quanto com palavras para restituir a identidade da Igreja de Cristo. Admiro muito homens como Martinho Lutero, João Calvino, e Ulrico Zuínglio. Até homens antes deles, como John Hus e John Wycliffe também são alvos da minha admiração. Neste texto, contarei bem resumidamente a História da Reforma Protestante, portanto, escreverei somente as partes que considero mais importantes e que me interessam. Pretendo contar sobre os heróis da fé que foram perseguidos, torturados, e até mortos por amarem a Deus acima de todas as coisas. Os cristãos do passado são alvos da minha admiração; e são bons exemplos a serem seguidos.
Durante a Idade Média, surgiram alguns grupos dissidentes no sul da França como os cátaros, conhecidos também como albigenses, que surgiram no século 11, e era um grupo de cristãos que foi perseguido e aniquilado por uma cruzada. Outro movimento dissidente foi liderado por Pedro Valdo ou Valdes, de Lião, cujos seguidores ficaram conhecidos como “os homens pobres de Lião”. Eles tinham um estilo de vida comunitário, e negavam algumas heresias pregadas pela Igreja Católica. Esses cristãos foram muito perseguidos, se refugiando em vales remotos dos Alpes italianos. Mais tarde, eles abraçaram a Reforma Protestante, sendo uma das poucas igrejas protestantes anteriores a Reforma.
A Idade Média foi um período em que as pessoas eram inseguras e angustiadas, porque havia baixa expectativa de vida, devido às guerras sangrentas (como a Guerra dos Cem Anos) e as doenças (como a peste negra) que dizimavam a população. Havia muitas convulsões políticas, sociais, e religiosas nessa época, como revoltas camponesas, o declínio do Feudalismo, o surgimento do Capitalismo, fomes periódicas, doenças, e abusos cometidos pelo Clero. O sentimento dominante era de insegurança, ansiedade, melancolia, e pessimismo.
Nos séculos 14 e 15, surgiram movimentos opositores aos ensinamentos da Igreja Católica, e um desses movimentos era encabeçado por John Wycliffe, que era um sacerdote e professor da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Wycliffe criticou as irregularidades do Clero e as heresias do Catolicismo. Os seus seguidores ficaram conhecidos como os lolardos, que acreditavam na Bíblia como norma de fé, e que todos devem lê-la e interpretá-la.
John Hus era um sacerdote e professor da Universidade de Praga, na Boêmia, e foi influenciado pelos ensinamentos de John Wycliffe. John Hus também criticava os falsos ensinamentos da Igreja Católica, e por causa disso acabou sendo queimado na fogueira no dia 6 de julho de 1415 e morreu louvando a Deus. Os seus seguidores eram conhecidos como “os Irmãos Boêmios”, que foram os precursores dos Irmãos Morávios.
No século 16, havia um monge agostiniano, Martinho Lutero, que acreditava que a Salvação é somente pela Graça, e que criticava duramente as vendas de indulgências, de cargos eclesiásticos, e de relíquias. No dia 31 de outubro de 1517 (um pouco mais de um século depois do martírio de John Hus), Martinho Lutero pregou as suas 95 Teses na porta da catedral de Wittenberg, criticando diversos erros do Catolicismo. Lutero criticou violentamente as heresias pregadas pelo Catolicismo, e quebrou o pau com João Tetzel, por causa das vendas de indulgências. Esse grande reformador foi perseguido e foi salvo por seu amigo Frederico, o Sábio, da Saxônia. Martinho Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, facilitando, assim, que muitas pessoas conhecessem as Escrituras. Lutero foi levantado por Deus para mudar a História da Igreja Cristã.
Ulrico Zuínglio era capelão do Exército e reformou a Igreja de Zurique, na Suíça. Esse sacerdote criticava também as heresias e os abusos cometidos pela Igreja Católica. Esse grande homem de Deus, com a sua teologia, deu origem às igrejas reformadas. Houve guerras entre católicos e protestantes, e em uma dessas guerras, Ulrico Zuínglio, morreu em combate lutando pelo que acreditava.
Houve um grupo de religiosos conhecidos como “os radicais” que foram os anabatistas. Esses cristãos foram os seguidores de Jesus que de fato separaram a Igreja do Estado. Os anabatistas (apesar de serem realmente cristãos) tinham uma coisa em comum com as Testemunhas de Jeová atuais, pois eles condenavam o serviço militar e a política também. Não irei debater aqui se eles estavam certos ou errados, até porque essa era a opinião deles, e os anabatistas (os atuais menonitas), não deixam de serem meus irmãos em Cristo por terem uma ideologia diferente da minha. Uma coisa que admiro muito nos anabatistas (como também em outros grupos religiosos parecidos) é que eles tinham um estilo de vida comunitário, ou seja, eles dividiam tudo o que tinham entre eles (o Comunismo tentou fazer isso, e fracassou). A Igreja Primitiva, os anabatistas, e outros grupos religiosos viveram a verdadeira igualdade social. Os anabatistas eram conhecidos por esse nome, porque eles rebatizavam as pessoas. Os anabatistas acreditavam que para as pessoas serem batizadas elas têm que ter consciência do que estão fazendo; para eles, esse era o verdadeiro batismo. Apesar de eu discordar teologicamente de alguns ensinamentos dos anabatistas, reconheço que eles foram muito importantes para a História da Igreja de Cristo.
João Calvino foi um grande teólogo francês, autor de algumas obras muito importantes para o Protestantismo, como o seu livro “Instituição da Religião Cristã”. Esse grande reformador atuou politicamente em Genebra, e cometeu um erro terrível, que foi condenar a morte o médico Miguel Serveto, que foi executado morrendo queimado na fogueira por crime de heresia. Martinho Lutero também cometeu o erro de ter incentivado os príncipes alemães massacrarem os anabatistas na Guerra dos Camponeses. Tanto Martinho Lutero, quanto João Calvino, e Ulrico Zuínglio, não gostavam muito dos anabatistas, devido às divergências teológicas que eles tinham. João Calvino foi um reformador muito importante na História da Reforma Protestante.
Os seguidores franceses de Calvino, os huguenotes, eram grandes guerreiros que pelejavam contra os católicos (milhares deles foram massacrados no dia de São Bartolomeu). Os seguidores de Lutero, os luteranos, foram grandes guerreiros também que combatiam os católicos. Durante a época da Reforma Protestante, houve muitas guerras entre católicos e protestantes, como a Guerra dos Trinta Anos.
Houve um movimento conhecido como “os puritanos” que surgiram na Inglaterra, durante o reinado da rainha Elizabete I. Durante o reinado da rainha anterior, a Maria Tudor, conhecida como Maria, a Sanguinária, muitos protestantes foram queimados nas fogueiras, porque se recusaram a negar a sua fé em Cristo Jesus. Quando os puritanos surgiram, eles queriam criar uma Igreja Protestante pura. Os puritanos foram muito importantes para a História da Igreja Cristã (especialmente, para o Calvinismo). Devido às fortes perseguições que eles sofreram, muitos deles fugiram para a América do Norte, e muitos outros ficaram para lutar por sua fé (tanto com armas quanto com palavras). Os puritanos foram grandes guerreiros. Na Revolução Inglesa, conhecida também como Revolução Puritana, os puritanos liderados por Oliver Cromwell, destituíram o rei do poder e o executaram. O Puritanismo impactou a Igreja de Cristo de tal maneira que inúmeras vidas foram transformadas pelo poder do Evangelho. Muitas obras literárias fantásticas foram escritas pelos puritanos. Os puritanos deixaram uma linda herança. 
No dia 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano, Martinho Lutero, afixou as suas 95 Teses na porta da catedral de Wittenberg, criticando diversos preceitos errados do Catolicismo. Assim, se iniciou a Reforma Protestante oficialmente (desde a Idade Média, existiam homens que pretendiam reformar a Igreja Cristã). Lutero era um homem que valorizava muito a educação, pois ele incentivava os cristãos estudarem tudo o que pudessem (principalmente, a Bíblia). Esse grande reformador deixou o legado do livre acesso as Escrituras e o seu incondicional apoio aos estudos, porque ele acreditava que todos os homens têm direito a educação. Martinho Lutero abriu o caminho para que as pessoas tivessem acesso as Escrituras nas suas línguas, para que elas próprias tivessem um relacionamento com Deus.
Ulrico Zuínglio deu início às igrejas reformadas, pois ele, assim, como Lutero e Calvino, também acreditava na Predestinação, ou seja, que a Salvação é somente pela Graça, e não importa o que o homem faça ou deixe de fazer, isso não lhe concede a Salvação, porque apenas uma ação direta do Espírito Santo pode salvar o ser humano.
João Calvino foi o reformador que mais pregou sobre a Predestinação, isto é, sobre a Soberania de Deus na Salvação dos cristãos, tanto, que as pessoas que acreditam na Predestinação passaram a ser conhecidas como calvinistas. Não irei debater aqui se o que está certo é o livre-arbítrio ou a Predestinação, porque eu mesmo considero que as duas teorias têm as suas bases bíblicas, mas afirmo que considero o Calvinismo mais bíblico e coerente do que o Arminianismo. Não consigo acreditar que a Salvação é pelas obras, como a maioria dos arminianos acredita. O fato de eu cair em pecado não invalida a minha Salvação, até porque acreditar que por causa de um deslize meu eu perco a minha Salvação é literalmente desprezar o Sacrifício de Jesus. Os evangélicos precisam entender que Jesus morreu pelos pecadores e não pelos santos. Portanto, foi, por isso, que Cristo sofreu e morreu na Cruz, para que nós, pecadores, fossemos salvos. Nisso concordo plenamente com os reformadores (especialmente, com João Calvino).
Os anabatistas também deixaram uma herança muito importante da Reforma, que é o batismo de adultos. Não irei debater aqui se o batismo tem que ser por imersão ou por aspersão, mas considero importante que as pessoas sejam batizadas tendo consciência do que estão fazendo. Eu também acredito que esse é o verdadeiro batismo (com todo o respeito aos cristãos reformados que batizam crianças, pois respeito a sua posição).
John Knox foi um reformador escocês que liderou o movimento presbiteriano revolucionando a Escócia. A origem da Igreja Presbiteriana é calvinista (mesmo com os cristãos presbiterianos arminianos e pentecostais desprezando isso). Portanto, a herança deixada por John Knox é praticamente a mesma deixada pelos demais reformadores, Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio, e João Calvino, ou seja, a herança é a Teologia Reformada, a Predestinação. Quero deixar bem claro, que eu respeito os meus irmãos em Cristo que acreditam no livre-arbítrio, até porque muitos homens de Deus que acreditavam nisso foram muito importantes para a História da Igreja Cristã também. Mas, tenho que ser criterioso em relação à herança que a Reforma nos deixou. Reconheço que outros movimentos não calvinistas também são importantes.
Tem também a igreja fundada pelo rei Henrique VIII, a Igreja Anglicana, mas para ser bem sincero, não vejo grande herança vinda dessa igreja. Pelo que entendi da história, os motivos do rei Henrique VIII foram muito mais políticos do que religiosos para poder fundar a Igreja Anglicana, portanto, a origem dessa igreja não foi teológica, mas, sim, política. Esse rei se casou com várias mulheres e mandou matar os seus desafetos por motivos mesquinhos. A fundação da Igreja Anglicana foi pelos motivos meramente pessoais e políticos do rei Henrique VIII. Por isso, não vejo grande herança vinda dessa igreja (talvez, hoje, a Igreja Anglicana seja uma igreja séria e compromissada com Deus, mas na época da Reforma, essa igreja foi apenas um estratagema político do rei da Inglaterra).
A herança mais linda para mim que a Reforma Protestante nos deixou foi à herança puritana, isto é, o Puritanismo. Muitas pessoas que não sabem nada sobre os puritanos têm uma visão distorcida sobre eles e ainda utilizam o nome puritano como termo pejorativo. Os puritanos cometeram erros sim, assim, como os anabatistas, os luteranos, os huguenotes, os presbiterianos, e outros cometeram os seus erros também. As pessoas são falhas, porque são pecadoras. Até os homens mais santos e mais próximos de Deus também pecam. Por isso, Jesus se sacrificou na Cruz por nós.
Os puritanos surgiram no reinado da rainha Elizabete I, na Inglaterra. No reinado anterior, Maria Tudor, conhecida como Maria, a Sanguinária, perseguiu muitos cristãos condenando vários deles a morrerem queimados na fogueira. Quando os puritanos surgiram, eles queriam criar uma Igreja Protestante pura, e não problemática e corrupta como a Igreja Católica e a Igreja Anglicana da época. Os puritanos queriam revolucionar a Igreja Cristã e a nação. Na Revolução Puritana, conhecida também como Revolução Inglesa, os puritanos liderados por Oliver Cromwell, destituíram o rei Carlos I do poder e o executaram. Os puritanos revolucionaram a sua nação. Devido as intensas perseguições que os puritanos sofreram durante a História, muitos deles fugiram para a América do Norte, e colonizaram os Estados Unidos.
Alguns puritanos, como, por exemplo, John Owen, William Perkins, William Ames, deram importante contribuição para a ortodoxia reformada. Homens como Richard Rogers, John Dod, Richard Sibbes, Richard Baxter, Joseph Alleine, e John Flavel, foram homens importantes para o Puritanismo também.
Existiram grandes pregadores puritanos, como Charles Spurgeon (conhecido como o Príncipe dos Pregadores e o Último dos Puritanos), Charles Finney, Dwight Lyman Moody, e Jonathan Edwards, que ganharam inúmeras almas para Cristo. Tem um escritor que admiro muito (porque vi o filme sobre a história do seu livro) que é John Bunyan, que é o autor do livro “O Peregrino”. Esse livro conta sobre a vida cristã como peregrinação e Guerra Espiritual.
Os puritanos pregavam a santidade (muitos falsos calvinistas pregam que porque os cristãos são predestinados, eles não precisam buscar a santidade, porque já são salvos). Os puritanos buscavam a santidade, porque eles queriam agradar o coração de Deus. Os verdadeiros predestinados não sentem paz no pecado, porque o Espírito Santo os incomoda para que eles busquem a santidade. Portanto, os verdadeiros calvinistas têm a certeza da Salvação, mas eles buscam a Deus por o amarem de verdade, e não por medo do Inferno. O incentivo do cristão para buscar a Deus tem que ser o amor, e não o medo. Os cristãos têm que buscarem a Deus por o amarem, e não por temerem o Fogo Eterno.
Escrevi sobre os temas que considero mais importantes e interessantes (pelo menos, para mim). Infelizmente, a maioria dos evangélicos não se interessa pela sua própria História, e perde tempo pesquisando e lendo coisas sem importância ou até mesmo demoníacas. Fico muito triste em saber que as pessoas (principalmente, os cristãos) não se interessam em estudar sobre a Reforma, e nem sobre a Bíblia. Encerro aqui.

AUTOR: Filipe Levi Viasoni da Silva, historiador e professor de História.

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