segunda-feira, 11 de junho de 2018

O VALE DE ACOR (AINDA HÁ ESPERANÇA)


“E lhe darei as suas vinhas dali, e o vale de Acor, por porta de esperança; e ali cantará, como nos dias de sua mocidade, e como no dia em que subiu da terra do Egito”.

Encontre-me no Vale de Acor, o Vale da Sombra da Morte, ou o Inferno, chamem como quiser. O ambiente é pesado e tem cheiro de morte. Estou diante dos Portões do Submundo. As Portas do Inferno estão abertas. As trevas e a escuridão escurecem a minha visão e assombram o meu ser. O meu coração apodrece de tal forma que já cheira até mal. O pus e a gangrena saem de dentro do meu peito. Eu estou morto, sem alma, só que o meu corpo ainda não sabe disso. Vejo uma luz, tímida, mas ela existe, bem no fundo, em meio à escuridão. Talvez, seja isso o que chamam de fé. Tornei-me num guerreiro, pois descobri que tenho habilidade com as armas e com os punhos. Quero usar os meus punhos e as armas apenas em nome da justiça. Não justiça para mim mesmo, mas justiça para aqueles a quem eu jurei proteger. Juramento de honra e de lealdade. Já presenciei muitas injustiças e atrocidades serem praticadas em Nome de Deus. Pessoas boas morrem, e pessoas ruins continuam vivas praticando as suas maldades, aparentemente na impunidade. O mundo não é perfeito, mas se pessoas boas, praticarem o bem, as coisas podem melhorar. Esse vitimismo e derrotismo, pregado pelos evangélicos, me enoja. Esses bordões e chavões me dão ânsia de vômito. Sempre amei e aguardei alguém que não tenho certeza que existe, mas sempre quis acreditar em sua doce e bela existência. Dizem que a esperança é esperar aquilo que não podemos ver ou sentir ou tocar. O que me mantém vivo? O que me faz continuar? O que me faz permanecer buscando a Deus e tentando fazer o bem? Como que um autista (Síndrome de Asperger) consegue tomar a iniciativa para fazer várias coisas? Como que um depressivo, infeliz e diagnosticado com tendência suicida ainda não se suicidou? Como que um historiador e professor de História é capaz de acreditar em Deus e na Bíblia? Alguma coisa dentro de mim, uma voz, ainda me diz para continuar e insistir e lutar. Essa voz me diz que eu devo fazer, porque se eu não fizer, ninguém vai fazer. Talvez, o meu nascimento não tenha sido um erro. Talvez, haja alguma razão para a minha existência. Talvez, essa seja a minha missão. Talvez, esse seja o meu propósito. Talvez, esse seja o meu destino. Fazer o que mais ninguém quer fazer. Fazer o “trabalho sujo” que os outros não querem fazer. Alguém tem que fazer. Alguém tem que ficar e lutar. Alguém tem que fazer a diferença. Talvez, esse alguém seja eu. (Filipe Levi)

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